Clima Bom

Informações

Área: 4,66 Km²

População fonte IBGE: 55.952 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 99

Região Administrativa: 3

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

Edição : José Ademir M. dos Anjos

Este trabalho é exigência da disciplina de Geografia Urbana - Profº Ms. Ailton Feitosa, que comporá a nota da Avaliação do 4º Bimestre de 2004 do 2º ano de Geografia noturno, e foi elaborado em equipe por:  Adriano Almeida da Silva, Alysson Marcone Alves Tavares, José Adalberto de Oliveira e Mauro Nunes de Oliveira

Este trabalho visa apresentar o relato histórico e a situação sócio-econômica do do bairro Clima Bom: sua origem, seu povoamento, aspectos culturais e esportivos, ocupação do solo, estruturas urbanas, seu desenvolvimento comercial e industrial.
Pesquisando e havendo detectado a deficiência de estudos sobre o tema, este cumpre a missão de colaborar com a sociedade, e através da investigação histórica, busca esclarecer os fenômenos sócio-econômicos, que levaram o bairro do Clima Bom ao estágio atual, onde a falta de infra-estrutura, devido ao crescimento desordenado, coloca-o em destaque com relação à violência urbana, conforme dados publicados em periódicos locais.
É compreensível que a representação política com um gerenciamento eficiente, é de primordial importância na tentativa de alicerçar e construir uma melhoria de vida comunitária. Portanto, partindo deste pressuposto, demonstraremos através de depoimentos orais, as formas, os meios, as atitudes e as posturas equivocadas, tomadas pelos representantes comunitários e políticos no decorrer da origem do bairro do Clima Bom.
Observando a falta de espaço físico, destinado e adequados ao desempenho de atividades esportivas e culturais, indagamos: não seria esse um dos fatores responsável pela desordem sócio-econômica do bairro do Clima Bom? Pois bem, sem perder o fio da meada, este trabalho de investigação histórica, objetiva também, além de despertar a curiosidade de jovens interessados, provocar a comunidade, sobretudo o poder público, no intuito de um debate alternativo de desenvolvimento do bairro.

Localização do Bairro

O Clima Bom é um dos bairros de Maceió localizado a oeste da cidade, com ponto inicial e final: encontro da Rua Muniz Falcão com as Avenidas Menino Marcelo, Durval de Góes Monteiro e Rodovia BR 316 e BR 104; do ponto inicial segue pela Rua Muniz Falcão e logo em seguida pela Rua São José até o encontro com a Rua do Sossego. Segue pela Rua do Sossego e Rua Cel. Walfrido Gerônimo da Rocha até o encontro com a Av. Jorge Montenegro Barros. Segue por esta até o encontro com o girador no cruzamento com a Av. Jorge Montenegro Barros e Ladeira de pedra de acesso a Fernão Velho. Excluindo o referido girador, segue pelo limite do Loteamento Chácaras da Lagoa até o encontro com o talvegue do Riacho das Barreiras. Segue por este talvegue até o encontro com a Av. Valdemar Rufino. Segue por esta via e logo depois para norte, seguindo pela Rua ABC (via de acesso ao Loteamento Rio Novo) até o encontro desta com a Av. Dep. Serzedelo de Barros Correia (BR 316). Segue por esta até o ponto inicial.
O bairro Clima Bom é constituído pelos conjuntos residenciais: Rosane Collor; Cabo Luís Pedro II; Osmam Loureiro e Taxista

Limites do Bairro
NORTE - Santos Dumont
SUL - Fernão Velho e Santa Amélia
LESTE  Tabuleiro do Martins
OESTE - Rio Novo
 

Exclusão Social
A 7ª Região Administrativa a qual o bairro Clima Bom faz parte, conforme a pesquisa, ocupa o 2º lugar em exclusão social em Maceió, com percentual de 60% (sessenta por cento) numa população estimadamente excluída de 80.635 habitantes.
A faixa etária considerada ativa para o trabalho (19 a 45 anos), há um percentual de 50,94% de desempregados, como também, um número significativo de pessoas com idade acima de 18 anos que nunca tiveram a oportunidade de inserir-se no mercado de trabalho, e os que trabalham têm média salarial de 1 (um) salário mínimo, devido ao baixo nível de escolaridade e a falta de qualificação profissional, que é mais visível na faixa etária a partir de 19 anos.
      

Atividades Econômicas Desenvolvidas

O setor econômico do bairro é basicamente composto por estabelecimentos comerciais de variados gêneros: confecções, restaurantes, padarias, lanchonetes, mercadinhos e supermercados, açougues, escolas particulares, depósitos de material de construção, farmácias, salões de beleza.
No desenvolvimento industrial, o bairro contém um micro-pólo industrial que contempla: produção de peças e equipamentos para usinas açucareiras, fabricação de produto de limpeza (sabão, detergente), envasamento de especiaria (pimenta).
      

Aspectos humanos

a) População

De acordo com o Censo de 2004, elaborado pelo IBGE, o bairro Clima Bom possui uma população de 47.858 habitantes, sendo 23.273 homens e 24.585 mulheres, ocupando o 5º lugar em população.
 

b) População Residente, Por Grupo de Idade no Bairro Clima Bom

Menos de 1 ano 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 5 a 9 anos 10 a 14 anos
1.184 1.126 1.117 1.098 1.152 5.391 5.167
15 anos 16 a 17 anos 18 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos
 1.047  2.095  2.074  4.768  4.639  4.413  3.574
 40 a 44 anos  45 a 49 anos  50 a 54 anos  55 a 59 anos  60 a 64 anos  65 a 69 anos  70 a 74 anos
 2.632  2.021  1.424  965  715  493  314
 75 a 79 anos  80 ou mais anos  Total        
 237  222  47.858        

Educação

Levando em consideração a população do bairro, o número de escolas ainda é insuficiente, principalmente as públicas, tendo em vista que só existem duas escolas da rede municipal e três da rede estadual, e mesmo assim, a maioria só disponibiliza educação infantil e ensino fundamental, deixando o ensino médio para as escolas particulares, que também quase não dispõem, restando apenas a alternativa de procurarem outro bairro, para a continuidade dos estudos.
Como a maioria da população residente tem uma renda baixa, insuficiente para estudar em escola particular e as públicas não atendendo a todos, muitos são obrigados a se deslocarem para outros bairros.
O Bairro dispõe de 22 (vinte e duas) escolas particulares, sendo que a maioria das escolas particulares só dispõem de ensino da educação infantil até a 4ª série do ensino fundamental.
Oficialmente não se tem registro do número de matrículas de todas as escolas, pois a maioria das escolas particulares estão fora do censo escolar realizado pela Secretaria de Estado da Educação.

Saúde
              O Bairro do Clima Bom conta com a participação do 7º Distrito Sanitário que proporciona assistência à população, através de 02 unidades de saúde, 02 equipes de Programa de Saúde da Família (PSF), que atende especificamente famílias do conjunto residencial Rosane Collor, mas ainda é insuficiente para o número de habitantes, pois nem todos conseguem atendimento e ainda enfrentam longas filas, provocando às vezes a desistência de alguns.
As unidades de saúde contam com a participação dos Conselhos Gestores. O Conselho Gestor é um espaço que a população dispõe para acompanhar e fiscalizar as ações das unidades de saúde. A formação desses conselhos é tripartite: usuário, governo, trabalhadores de saúde e sua consolidação depende do nível de mobilização da sociedade.
Existe uma enorme carência na área da saúde pelo bairro não dispor de consultórios médicos, hospitais, laboratórios, pois só identificamos 02 (dois) consultórios de dentistas e 02 (dois) laboratórios, mesmo assim com o número muito restrito de exames, com isso a população é obrigada a procurar atendimento médico em outros bairros. As únicas unidades de saúde existente são as duas do município, para atender toda população.
            A Unidade de Saúde Djalma Loureiro atende a todo o bairro nas especialidades acima, e realiza alguns exames ginecológicos preventivos. Já a Unidade de Saúde Rosane Collor atende apenas um número reduzido de pessoas residente no conjunto residencial Rosane Collor e trabalha com duas equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), a equipe 20 que atende em torno de 3.715 famílias e a equipe 41 em torno de 2.887 famílias. Dessas famílias que são atendidas por esse programa, apenas 161 famílias possuem algum tipo de plano de saúde, ou seja, 2,4% das famílias atendidas.
            Além dos 09 (nove) agentes de saúde que trabalham com o Programa de Saúde da Família (PSF), temos mais 03 (três) de epidemiologia e 23 (vinte e três) que trabalham no combate e prevenção da Dengue. O número de óbitos onde ouve o maior incidência foi na faixa etária de 50 anos acima, registrando 234 casos do total de 445, em segundo lugar de 15 a 49 anos com 140 casos, em terceiro com menos de 01 ano com 52 casos, em quarto de 5 a 14 anos com 12 casos e em último lugar de 1 a 4 anos com apenas 7 casos, segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde.

Saneamento Básico

            O Clima Bom é um dos bairros mais desprovido de saneamento básico e enfrenta grandes dificuldades, principalmente onde reside a população em situação vulnerável. O esgoto e dejetos das casas correm pelas ruas, provocando inúmeras endemias, comprometendo a qualidade de vida da população, e em decorrência das chuvas, as ruas ficam alagadas e intransitáveis, às vezes entrando nas residências.
Como a maioria das ruas não tem calçamento na época chuvosa é um verdadeiro sufoco para se deslocar, pois em alguns locais, a água invade interrompendo até a passagem dos ônibus.

Coleta de Lixo
 
            A coleta de lixo é realizada através da empresa MARQUISE, contratada pela instituição municipal COBEL (Companhia de Beneficiamento do Lixo) para executar os serviços nesta área.
O serviço é realizado três vezes por semana, em dias alternados, porém não atende a demanda da região. Há algumas áreas que não acontece coleta, devido ao difícil acesso, o que acarreta acúmulo de lixo em terrenos baldios, valetas e encostas.

Abastecimento D´Água

            O abastecimento d água é irregular, tendo como fornecedora a CASAL - Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água do Estado de Alagoas, pois na maior parte do bairro a água não chega às torneiras, obrigando a população a procurar outra forma de fornecimento, alguns conseguem através de poços artesianos e outros pela encanação vinda da nascente próxima ao bairro, motivando uma insatisfação generalizada. Para a obtenção da água fornecida pela CASAL, muitas vezes se faz necessário o uso de bombas.
Essa ausência do poder público na comunidade abre espaço para projetos eleitoreiros como o caso do PROJETO - NASCENÇA ÁGUA PARA TODOS.     
 

Segurança

            Tratando-se do sistema de segurança, podemos afirmar que o mesmo é bastante precário neste bairro, visto que só recentemente foi instalado um posto policial para atender toda a população residente, dispõe de uma unidade da polícia civil , localizada na rua Muniz Falcão, conhecida rua dos "Bares".
Essa carência de segurança faz com que aumente o número de assalto e se forme grupos de comerciantes e usuários de entorpecentes, provocando pânico na população. Segundo uma emissora de televisão local (TV Gazeta no seu jornal diário), o bairro foi considerado no ano de 2003, o segundo mais violento de Maceió, perdendo apenas para o Jacintinho. Levando em consideração o número de óbitos registrados pela Secretaria Municipal de Saúde, chegamos a conclusão que realmente a violência faz parte do cotidiano dos moradores do Clima Bom.
É necessário salientar que está faltando um pouco de vontade política para proporcionar uma segurança mais preparada, equipada e em números bem maiores que o atual.
 

Iluminação Pública

            O serviço de iluminação é formado pela CEAL (Cia. Energética de Alagoas), e o trabalho de reposição de lâmpadas dos postes é realizado pela SIMA (Superintendência de Iluminação de Maceió). A iluminação clandestina faz-se presente, nas áreas de aglomeração de favelas, através de gambiarras.
O serviço de iluminação do bairro é bastante deficiente, visto a escuridão em várias ruas impedindo a população de transitar à noite e quando acontece corre o risco de ser atacada por marginais. O problema também atinge outras proporções, aumentando o número de assaltos freqüentes. Em algumas ruas a única iluminação existente provém de lâmpadas que alguns moradores colocam defronte a sua residência. Além de toda essa precariedade no período de racionamento decretado pelo Governo Federal a situação ficou ainda pior, visto que houve uma diminuição no número de lâmpadas.

Transporte de passageiros

            O sistema de transporte de passageiros do bairro, conta apenas com os serviços de duas empresas de ônibus: São Francisco e Cidade Sorriso, dispondo de 04 (quatro) linhas de ônibus: Osman Loureiro, Rosane Collor, Clima Bom e Santos Dumont.
Apenas as linhas Rosane Collor e Clima Bom, contemplam em parte os usuários que dela necessitam, porque o sistema dispõe apenas de um corredor principal de tráfego, acarretando assim, o não atendimento satisfatório da maioria dos usuários, devido à extensão territorial do bairro.
Além do mais, a população usuária enfrenta vários problemas da frota de coletivo, tais como: excesso de lotação, estado de conservação, disponibilidade de ônibus para outros bairros, e inclusive a falta de um terminal de ônibus.

Vias de tráfego

O bairro dispõe apenas de um corredor pavimentado (Rua Firmo Correia de Araújo, Rua Jerusalém com prolongamento da Rua Boa Vista), onde, apesar de dispor de 04 (quatro) linhas de ônibus (Osman Loureiro, Rosane Collor, Clima Bom e Santos Dumont), apenas o intinerário Clima Bom-Centro, percorre o citado corredor.
Quase todos os ônibus passam apenas pelo corredor pavimentando, o que provoca um constragimento para a população usuária que reside mais distante deste, pois é obrigada a fazer uma "longa caminhada" até o ponto de ônibus.
A falta de drenagem e pavimentação daquelas ruas, que são utilizadas como vias secundárias de tráfego, quando da ocasião dos períodos chuvosos tornam-se intransitáveis, provocando alternâncias desordenadas nos percursos dos ônibus, acarretando com isso transtornos imensuráveis aos usuários, inclusive pedestres e veículos particulares.
 

Cultura, Esporte e Lazer

1. Base de formação
Quanto ao aspecto cultural, registra-se apenas o culto de religião e grupos de capoeira.
No que se refere ao esporte e lazer a população tem como opção: os campos de futebol chamados "carecão" por não ter gramado e as praças existentes em algumas áreas.
Observa-se assim, que no aspecto cultura, esporte e lazer a população também é desprovida, principalmente no que tange a realidade infantil, especificamente àquelas que não dispõe de brinquedos e não tem recursos financeiros para se deslocarem a outras localidades, para poder realizar atividades recreativas, adequadas a sua fase de vida.
Mapeamento inédito da cidade de São Paulo, encomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a vulnerabilidade dos jovens às drogas, mostra que os serviços públicos de lazer e cultura, úteis para reduzir o ócio e inibir o vício, não beneficiam a população mais carente (os adolescentes da periferia). Os centros esportivos e de treinamentos, as bibliotecas, os parques e os teatros estão concentradas nas regiões de alta renda, bem distantes dos jovens que vivem nas áreas extremas da cidade e que estão mais expostos ao crime. Esta pesquisa aponta o aumento da marginalidade, o consumo de álcool, o uso de drogas por adolescentes e a violência dos jovens, relacionando isto com a distribuição (má) das opções culturais e esportivas na Grande São Paulo.
A realidade de nossa Maceió não é diferente, pois podemos observar que os bairros mais distantes, o Clima Bom é um exemplo, não dispõem dos serviços públicos de lazer e cultura para ocupação de crianças e jovens, os quais muitas vezes não têm espaços na própria residência. Sem opções, eles vão para a rua e acabam por se envolver e atuar nos bandos se tornando dessa forma verdadeiros marginais.
Fazemos nossas as palavras do Professor Douglas Apratto Tenório. "É urgente, é importante, não só para eles, mas para todos nós, que o poder público, a Prefeitura, o Estado, revisem esse modelo excludente. Temos certeza de que a sensibilidade social de nossos governantes encontrará meios para que os jovens de nossa periferia encontrem em suas comunidades, em seus bairros, instrumentos de lazer, de cultura, que lhes dêem uma dimensão mais larga da vida e oportunidades de crescer intelectualmente e alegria no seu difícil dia a dia"
*
* Douglas Apratto Tenório - O JORNAL - Cultura e lazer: exclusão na periferia - 15/09/2001
2. Comunicação

O bairro dispõe apenas de duas rádios comunitárias e o serviço de telefonia residencial e pública (orelhões).

3. Instituições Religiosas

A religiosidade no bairro é marcante e diversificada, no entanto, na população, há uma predominância da religião católica. Existem em média 08 templos religiosos, sendo: 02 batista, 03 católicos, 04 Assembléias de Deus, 02 Quadrangular , 01 Universal do Reino de Deus, 02 Adventista e 01 Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
      

Conclusão
Ao longo da realização deste trabalho, percebemos que a ausência do poder público contribuiu substancialmente para o quadro atual do bairro. Seus líderes comunitários não tiveram, a efetiva capacidade de articulação no planejamento do bem-estar da comunidade.
Documentos e depoimentos revelam que o Clima Bom se originou de uma permuta de terras, entre a fábrica Othon Bezerra de Melo e o Governo.
Iniciou seu "desenvolvimento", principalmente a partir de 1991, quando da pavimentação do corredor de ônibus. Tal corredor atraiu interesse dos antigos proprietários de lotes, em promover o seu desmembramento.
Esse fato, dentre outros, influenciou no povoamento desordenado do bairro, tendo a falta de infra-estrutura como conseqüência: poucas vias pavimentadas, carência de edificações públicas (escola, centro social, hospital), bem como área de esporte, lazer, práticas de atividades culturais e percebe-se a iminente destruição dos poucos espaços de áreas verdes com o total descaso dos órgãos ambientais em nível federal, estadual e municipal.
A falta de projetos de geração de rendas, bem como, atividades ocupacionais, condicionam a maioria da população jovem e adulta ao ócio e a marginalidade. Faz-se necessário emergencialmente a criação e desenvolvimento de projetos, através do poder público, juntamente com a comunidade organizada, na busca de soluções imediatas e eficientes, no intuito de: minimizar o elevado índice de violência na comunidade, promover ocupações remuneradas, improvisar e fomentar eventos de cultura e lazer, podendo para isso, utilizar os atuais prédios e áreas públicas, sob a orientação de profissionais.

Agradecimentos:
A Deus, acima de tudo.
A nossa família.
Aos professores que foram grandes facilitadores do conhecimento ao longo desses dois anos de convivência.
Em especial ao nosso amigo Joel e a nossa amiga Solange, que nos forneceram informações valiosas para construção deste trabalho.
A todos que de uma forma ou de outra, colaboraram para a realização deste trabalho.


Entrevistas 

José Batista Xavier

Seu José como é conhecido, nasceu em Santa Cruz do Capibaribe-PE, em 20/12/1926, extrovertido e muito alegre, mora atualmente na Rua São José, 569, desde 1964, sempre exerceu a função de comerciante e atualmente está aposentado. A entrevista a seguir nos foi concedida em 16 de janeiro de 2004, em sua residência.

Adriano - Quando o senhor chegou para morar no bairro, como era a povoação?
Sr. José - Ah! Existia umas seis casas.

Adriano - O senhor lembra quantos anos faz que mora no bairro?
Sr. José - Tá com mais ou menos com quarenta e cinco anos. Foi mais ou menos em 1964.

Adriano - Antigamente aqui era um loteamento, antes de se tornar bairro, o Sr. Lembra a quem pertencia?
Sr. José - Antonio Bezerra de Melo, que foi o vendedor disso aqui a mim mermo, ele não vendeu diretamente a mim vendeu a um camarada que mora em Palmeira dos Índios, que foi dono deste terreno meu aqui, que seu Luiz Gonzaga que é dono daquele posto de gasolina que tem ali, já arrumou este terreno do próprio cunhado dele. Eu sou morador daqui igual à policia rodoviária também, comprei o terreno por cento e noventa mirréis.

Adriano - Qual a metragem dos primeiros lotes aqui?
Sr. José - 50 x 50m e 25 x 50m. Tem muito mais 25 x 50m quando ele é engavetado na rua direto, todos eles é 25 x 50m.

Adriano - Dizem que uma parte do Clima Bom era área verde e foi invadida? Quando o Sr. chegou aqui tinha muita área verde?
Sr. José - Nnãããoooo.

Adriano - Aqui politicamente quem mais representou? Existiu alguém mais que o seu Lula?
Sr. José - Não, nunca.

Adriano - Em termo de desenvolvimento, o Sr. lembra quando começou o comércio, as escolas?
Sr. José - As escolas da gente era seu Orlando mais dona Jecina, quem queria fazer uma escolinha pro fora estudava no CEPA, ali no Romeu e naquele outro que tem por trás do Romeu, no Rotary e no Brandão e depois foi que apareceu outras escolas por aí a fora.
 
Adriano - Em que época?
Sr. José - Na gestão do Muniz Falcão que não sei em que ano foi que Muniz Falcão foi governo aquele bela peça, eu sou coisa muito boa mais também...E de comércio aqui foi o finado Beto e o Biu em mais ou menos a uns 20 anos atrás, depois veio o mercadinho Sertanejo e São Mateus.

Adriano - Em termos de transporte. Houve facilidade?
Sr. José - O transporte daquele época passado não podia ter facilidade não, quem era naquele tempo, o meu transporte pra qui toda vida foi os de Rio Largo que eu morava aqui bem pertinho, os da progresso e depois disso, quando vieram fazer essa linha aqui do Clima Bom já foi a São Francisco há mais ou menos uns vinte e poucos anos.

Adriano - Quando começou o fornecimento d água, energia elétrica e a coleta de lixo?
Sr. José - A luz daqui foi primeiro do que a água e deve tá com uns dez ou doze anos e depois veio a água.
 
Adriano - Quais as faltas/falhas daqui?
Sr. José - As maiores faltas é saneamento e escolas públicas.

Adriano - O Sr. imagina quantos habitantes existem hoje?
Sr. José - não, não faço idéia. (sic)

Lula Diniz

O senhor Lula Diniz, como é conhecido pelos moradores do Clima Bom, casado, residente neste bairro desde 1980, foi o primeiro presidente da Associação de Moradores do Clima Bom, sendo eleito em 1984. Em seu mandato comunitário, conseguiu trazer alguns benefícios notórios e relevantes à comunidade. Candidato a vereador por Maceió em quatro pleitos, assumiu uma suplência e em 1996 foi eleito vereador. Em sua residência, concedeu a seguinte entrevista no dia 27/01/2004.

Alysson - Sr. Lula, após entrevistar o Sr. Manuel da fábrica de tecidos de Fernão Velho, inclusive este, membro do sindicato dos trabalhadores, constatamos que a origem do Clima Bom se deu graças a referida fabricada, foi isso mesmo?
Sr. Lula - Na fábrica, é, naquela ocasião eles me informaram que a fábrica admitiu lançar esse loteamento em 1961, resolveu fazer os lotes aqui tudo né, isso aí não tem mais ou menos uma confirmação porque o gerente da fábrica, o gerente externo naquela época era seu Campina com a família dele, isso vem desde antes da década de 60, quer dizer, eu era muito amigo do Arnaldo e foi através dessa amizade com ele que eu terminei casando com a Helena em 1967, então naquela época em já tinha ciência que na década de 60 a fábrica já tava lançando o loteamento, quer dizer, já tava se preparando pra lançar. Segundo alguns funcionários da fábrica, ela demitiu lançar, fazer disso aqui um loteamento no início da década de 61, agora como foi vendido o primeiro em 72, mais isso aí é justificável, porque inclusive é muito grande a área, pra fazer um loteamento desse é complicado e leva tempo, inclusive não sei se vocês sabem que quando a fábrica fez o loteamento fez logo os dois: Clima Bom e Santos Dumont, por isso que nós jogamos o aniversário pra 1961, pois já estava começando a se distrinchar em áreas, em quadras, em lotes e tal.

Alysson - Tinha planta? Eu tenho uma de 64.
Sr. Lula - Então, a congitação foi em 61, não tem sentido, a decisão da fábrica foi em 61, um ano antes, é, foi, eu já trabalhei em cima desses dados. Você se lembra quando nós comemoramos o aniversário em 2000, o Clima Bom tava completando 39 anos, em 2001 foi 40 anos , em 2002 foi 41 anos, em 2003 foi 42 anos e agora em 2004 vai fazer 43, é razoável.

Alysson - E agora o dia seu Lula quando foi?
Sr. Lula - Agora o dia é impossível você determinar. Eu tirei, eu pensei no dia da emancipação política de Alagoas, joguei pra essa data porque não tem como você ter uma data precisa. Como foi em 61, aí eu digo que foi no segundo simestre, aí vamos jogar uma data aí no meio do segundo semestre. Setembro, aí só foi procurar a data que pode ser 7 de setembro ou 16 porque é interessante que seja um dia feriado, pra você poder comemorar no bairro, eu digo é melhor 16 que é o dia da emancipação política de Alagoas, a data nós chegamos a conclusão assim.

Alysson - A gente vê que da origem para os dias de hoje o Clima Bom mudou muito em todos os aspectos econômicos, políticos social e etc. Na percepção do senhor como foi o surgimento do Clima Bom ?
Sr. Lula - O seu Campina era o articulador de tudo isso e a história é mais ou menos isso mesmo, a fábrica como ia fornecer água pra cidade, então foi congitado a permuta, trocar a cessão da bacia do catolé pela gleba que não foi só o Clima Bom, foi Clima Bom e Santos Dumont. Agora eu soube disso não foi oficialmente, foi em conversa extraoficialmente.

Alysson - A questão do desenvolvimento do Clima Bom, o senhor acompanhou esse desenvolvimento?
Sr. Lula - Eu cheguei pra morar aqui no dia 27 de junho de 1980, agora vai fazer 22 anos, mas comecei andar pro Clima Bom em 1979. Na época havia dificuldade de água, era à base de carroça, mais depois a CASAL andou perfurando algum poço, mais melhorar mesmo só com o sistema de água com o Projeto Aviação, esse nome é porque é um riacho que nasce ali na área do aeroporto e desce pro catolé, por isso chama-se aviaçao. Energia foi Antônio Holanda, começou puxando um poste outro e tal, na verdade a energia veio antes da água. E quanto ao desenvolvimento eu me lembro que por exemplo, fui o primeiro presidente da Associação de Moradores do Clima bom, fui eleito em 1984, foi quando começou essa onda de associação de moradores. Você se lembra que até aí o Clima Bom não tinha nenhum prédio público, não funcionava nenhuma seção eleitoral porque não tinha um prédio público, foi quando nós solicitamos a construção de uma escola, primeira escola pública do Clima Bom, foi quando o governo mandou o Secretário de Educação numa assembléia geral da Associação de Moradores para informar, o governo era Divaldo Suruagy, que o Estado já tinha realmente constatado a carência, é claro, a população crescendo e não tinha nenhuma escola pública, a carência é evidente que havia, então ele mandou uma proposta pra mim que se eu me comprometesse a regimentar a comunidade pra fazer a escola em mutirão, o Estado dava o material, aí nós construimos, começamos o mutirão dia 18 de maio de 1985, a escola de 1º Grau Nenoí Pinto, no mês seguinte, dia 29 de junho, 40 dias depois, já tava o governo aqui, o prefeito, inaugurando. Naquela época eram cinco salas de aula. Foi o 1º prédio público. Mesmo assim foi insuficiente para a população, em seguida conseguimos a construção da segunda escola pelo mesmo processo de mutirão, a Remi Lima, tudo no mesmo ano. E aí praticamente foi dado uma ajuda substancial para a educação, não foi sanado o problema, mais melhorou muito. Em seguida eu fui a Secretaria de Saúde solicitar a construção de um posto de saúde, aí foi pelo mesmo critério, em mutirão, com o Estado dando o material, nós construimos também no mesmo ano o Posto de Saúde Djalma Loureiro. Conseguimos trazer também uma creche que foi construída pela prefeitura e uma quadra de esporte, construída no Colégio Nenoí Pinto. Na época que eu estava assumindo o mandato eu fiz o requerimento na Câmara solicitando a implantação do 2º grau no Nenoí Pinto e agora eu tô voltando a carga pra vingar pra sair o 2º grau do Nenoí Pinto. Agora eu ainda acho, eu não digo, nem crescimento, nem o desenvolvimento, mais a explosão do Clima Bom veio com esse corredor de asfalto.

Alysson - No entendimento do senhor, incluindo-o também, quais os políticos que tiveram influência para o desenvolvimento e até pelo seu atraso aqui no Clima Bom?
Seu Lula - Bem, em me lembro que na parte de energia Antonio Holanda teve influência, agora quem ajudou muito a gente aqui foi o deputado Nenoí Pinto, inclusive até fez jus ser patrono dessa escola.

O Nenoí Pinto foi vital para esta fase desse crescimento de 1985.

Alysson - Houve algum político que se comprometeu com o senhor e depois falhou?
Sr. Lula - Não.

Alysson - Qual a solução para pavimentação das ruas?
Sr. Lula - Acho que o nosso pecado até agora foi falta de aliança a um deputado federal bom, um membro do Congresso Nacional, porque isso aí tem que ser passado na Comissão de Orçamento do Congresso. Essa é a saída pra vê se a gente pavimenta mais alguma rua.

Alysson - O senhor não acha que no Clima Bom está faltando uma área para esporte e lazer e que a falta desse espaço está aumentando o número de marginais?
Sr. Lula - Você tem razão, mais eu acho que essa violência chegou a esse ponto também, não é só isso não, eu acho que o nosso aspecto físico aqui do Clima Bom contribui pra isso, eu vou explicar porque. Nós estamos perto de uma São Leonardo, quer dizer, imagine quantas famílias de detentos procuram essa área pra morar por ficar mais próximas deles, depois esse cara saiu e ficou aqui no nosso meio. Outro problema muito sério é a entrada da cidade, quer dizer, é a primeira comunidade que você encontra na entrada é o Clima Bom. E encontrou também facilidades com esses terrenos parcelados de 5 x 10m e tal, é fácil de você comprar e construir. Os terrenos estão divididos em minis lotes e a prefeitura não tem como acompanhar. (sic)

Clovis Ferreira da Silva

O senhor Clovis Ferreira da Silva, nasceu em 14 de maio de 1956, chegou no bairro Clima Bom no dia 20 de janeiro de 1991, é o atual presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Clima Bom II, desde 1997, mas faz parte da mesma, desde 1991, sendo em cargos alternados, e atualmente faz parte do quadro de desempregados. Concedeu a seguinte entrevista no dia 25/01/2004.

Adalberto - O que é que você sabe sobre o surgimento do Clima Bom?
Sr. Clovis - Rapaiz, veja bem, como surgiu o Clima Bom eu não tenho conhecimento, porque quando eu cheguei no Clima Bom ele já estava formado, já.

Adalberto - Mas, já ouviu por alguém como foi?
Sr. Clovis - Não, porque há muitas contradições, cada um que fale uma coisa diferente, e até hoje em não sei ainda qual é o certo.
 
Adalberto - Mas teve alguma coisa que chamou sua atenção?
Sr. Clovis - Veja bem, o que me chamou atenção, pra mim, hoje, é um dos melhores bairros que existe dentro de Maceió, bairro de piriferia, é um bairro que dá uma condições de moradia melhor pra população, hoje a população do Crima Bom não vive melhor aqui dentro, hoje, por causa do discaso das autoridade, e a gente como presidente tem lutado por isso, mais não temos conseguido muito êxito, porque as autoridades não tem olhado pra isso, os poderes púbricos municipais, federais...

Adalberto - O Clima Bom hoje como você falou é um dos bairros bons de se morar, mas, como ele se desenvolveu?
Sr. Clovis - Olha, veja bem, o desenvolvimento do Crima Bom, isso dentro do meu ponto de vista, ele vem se desenvolvendo desde a época que estou aqui, através de líderes comunitários, porque quando eu cheguei aqui, anteriormente há muitos anos atrás, só existia um ou dois, hoje o Crima Bom tá cheio, e são pessoal que briga muito por esses objetivo, então é daí que tá partindo o crescimento do Crima Bom, porque se disser assim, que alguém, que pertença hoje ao poder púbrico municipal, estadual e federal tenha feito alguma coisa, não.

Adalberto - Você conhece algum político que tenha influência aqui na comunidade do Clima Bom?
Sr. Clovis - Veja bem, pulíticos em conheço muitos, agora que tenha influência, não, só na época de eleição, na época de eleição aparecce políticos prometendo Deus e o mundo e depois que passa a pulítica desaparece.

Adalberto - Que tipos de promessas eles fazem?
Sr. Clovis - As promessas que eles fazem hoje, aqui dentro em nossa comunidadde é o que? Melhorar as ruas, pavimentar, criar preças, campos de futebol, iluminação, escola, a área de saúde, tudo isso aí eles prometem, só que não fazem. Pois a própia delegacia que tem hoje, o batalhão, foi feita com o apoio da própia comunidade, ali não tem envolvimento de pulítico nenhum e partimos agora para área de saúde, pra que o posto de saúde nosso aqui, seja também um posto de emergência 24 horas.

Adalberto - Quer dizer que o posto policial foi construído pela própria comunidade?
Sr. Clovis - Própia comunidade, que foi aonde que os pequeno micro-empresários ajudaram, aonde que a população entraram com a sua mão-de-obra, teve alguma ajuda do Quartel General que entrou, mais a doação do terreno, o material, isso aí tudo, foi tudo por parte da população, inclusive o próprio terreno foi doado por um pequeno comerciante.

Adalberto - Você lembra o nome do comerciante que doou o terreno?
Sr. Clovis - Não lembro o nome não.

Adalberto - Qual é o compromisso ou a ligação dos líderes comunitários com os políticos que prometem e depois não cumprem?
Sr. Clovis - Olhe, veja bem, o compromisso que acontece que é uma coisa que eu sou até contra, aí, é que muitas pessaos que se diz ser lider comunitário e presidente que na realidade, pra mim, não é, porque uma pessoa que s e vende pra mim ele não é, o que é que acontece, o político oferece uma importãncia, o cara tá desempregado, oferece a ele cem reais ou cento e cinquenta reais por mês, pra que ele faça a propaganda dele e peça voto aqui de casa em casa, prometendo pra ele que vai calçar uma rua ou que vai colocar água, que vai melhorar o sistema de saúde, esse é o que é o compromisso entre o pulítico que tá vindo e a pessoa que tá trazendo, que é um líder comunitário.

Adalberto - Geralmente, Clovis, o resultado desse político é positivo para com a comunidade? Ou sempre fura?
Sr. Clovis - Pra mim, até a data de hoje, nunca foi pusitivo, até que me provem o contrário. Lula Diniz durente quato anos nunca fez nada, o que ele criou aqui foi crone de praça.

Adalberto - Você disse, que para você nunca foi positivo. E para comunidade?
Sr. Clovis - Também não.

Adalberto - No seu entendimento como líder comunitário qual é o maior problema do Clima Bom?
Sr. Clovis - O maior probrema do Clima Bom ainda hoje é saúde e educação, porque segurança a gente taí com uma média boa de 75 a 80%.

Adalberto - A questão da violência que cresceu muito, inclusive em 2001 que fomos considerados o segundo bairro mais violento?
Sr. Clovis - Foi chegou aqui a 90%.

Adalberto - Quais as formas de soluções para todos os problemas?
Sr. Clovis - A minha sugestão seria o seguinte: que hoje o Governador do Estado, a Prefeita, a Câmara de Vereadores e a Assembléia Legislativa procurasse convidar essas pessoas que faz parte da comunidade, sentar pra conversar, fazer reuniões, trazer projetos, ouvir os nossos projetos e não deixar na teoria e sim utilizado na prática.(sic)

Sebastião Fagundes da Silva

O senhor Sebastião Fagundes da Silva, nasceu em 10 de outubro de 1946, atualmente atua como presidente da Associação Comunitária Clima Bom II. Concedeu a seguinte entrevista em 25/01/2004.

Adalberto - Como surgiu o Clima Bom?
Sr. Sebastião - Rapaz, o Clima Bom foi surgindo devagazinho mesmo né, quando eu cheguei aqui não existia casa, só tinha umas duas casinhas ali, invasão existiu muita né, teve aí uns terrenos loteados pelo Lelo (Melo), aquele do posto polícia da rodoviária, que nós vendemos muito esse terreno por aqui, uns terreno que ele tinha por aí.

Adalberto - Os terrenos dele era de quanto? Qual o tamanho?
Sr. Sebastião - Era de 5 x 10m e 5 x 13m.

Adalberto - A questão do desenvolvimento do Clima Bom o senhor observa como aconteceu?
Sr. Sebastião - Isso aqui era uma área muito boa, a gente andava sossegado, hoje a gente anda aqui, como diz a história, é um povoado pirigoso porque agora é o que mais tem né. Até hoje graças a Deus tenho muita amizade, gosto muito do povo, o povo gosta muito de mim, sempre trabalhei com a Associação, com Luis Pedro um bucado de tempo.

Adalberto - Quais os políticos que tiveram ou têm inserção aqui na comunidade Clima Bom?
Sr. Sebastião - Rapaz, os políticos aqui é Luís Pedo mermo, é Lula Diniz, é Antonho Holanda, eu mesmo trabalhei muito com Antonho Holanda, Augusto Farias, Ronaldo Lessa, Kátia Borge, Denilma Bulhões e muito.
 
Adalberto - Quais as promessas dos políticos quando eles chegam?
Sr. Sebastião - Bom, sempre as promessa é aquela merma, que vamos fazer, vamos fazer e depois viaja, desaparece.
 
Adalberto - Qual o compromisso que o senhor assumia como líder comunitário com esses políticos?
Sr. Sebastião - Sempre a gente dava o nosso trabalho, é o voto né, é conquistar o povo com aquele voto suficiente para o político né, a tendência da gente era conquistar isso. Eu mermo, junto com a comunidade, já cheguei a dá mil e quinhentos voto a Luis Pedo.

Adalberto - Os políticos pagam para alguém fazer o trabalho e depois não se sentem na obrigação de assumirem os compromissos, pois acham que já pagaram por eles, o senhor também vê dessa forma?
Sr. Sebastião - Não, eu acho que o certo e o cabo eleitoral que tem prestígio ele não precisa de tá pedindo nada a político, ele precisa sim, pedir benefício para o bairro, pra as crianças, é uma coisa assim.

Adalberto - As ações dos políticos são sempre positivas aqui?
Sr. Sebastião - Não, olhe veja só, o político certo que já deu muita força por aqui, quer dizer, pra mim, se chama Antonho Holanda, tanto me ajudou como ajudou sempre o povo. O Luis Pedo é o seguinte, ele num me ajudou em nada, agora ele deu uma ajuda grande ao povo, deu uns barracos, umas casa pro povo morar.

Adalberto - Qual é o maior problema aqui do Clima Bom?
Sr. Sebastião - Rapaz, o maior probrema daqui é esses probremas desses mininos novo, não tem emprego, não tem trabalho, não tem nada e só veve o que? Aprontando, pegando o povo por aí, e sempre o probrema da água que é um probrema muito velho. Eu aqui mermo nunca bibi água da CASAL.(sic)

CLIMA BOM
                       
Com a falta de infraestrutura
e o crescimento desordenado,
reina uma explosão social,
contrastando ao avanço industrial.
                                       
Perfídia é cometida com esta gente,
que acredita na política indiferente,
que faz do descaso,
um simples caso.

Ocaso adormece a dor de cada dia,
onde a madruga é varrida por valentia.
Pobre periferia.
                           
Apesar de tudo o clima é bom,
que vai vencendo infortúnios
e construindo um novo mundo.
                                            
    - Ari Lins Pedrosa -

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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