Pontal da Barra

Informações

Área: 2,7 Km2

População fonte IBGE: 2.478 hab. fonte: IBGE Censo de 2010

Quantidade de logradouros: 56

Região Administrativa: 2

Crédito fotos: José Ademir / Gazetaweb.com

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

Pesquisa e Texto: Jornalista Jair Barbosa Pimentel 

Desde os tempos mais remotos de Maceió como capital da Província, ou mesmo antes, ainda como vila, o Pontal da Barra já existia. Era habitado por pescadores que retiravam da lagoa e do mar o sustento da família. De uma beleza inconfundível, o bairro é visitado e admirado por todos os turistas que chegam à capital, seja adquirindo o típico artesanato ou saboreando os pratos feitos à base da lagoa ou do mar. A única rua, estreita e ocupadas por artesãos, pescadores bares e restaurantes, sempre está supermovimentada. Os becos também guardam o romantismo do lugar, com gente nas calçadas, jogando conversa fora ou ainda com a confecção de produtos artesanais.A fé católica é bem visível na adoração ao padroeiro do bairro:

São Sebastião. A cada janeiro, a população se reúne para a festa, que tem novenário e procissão. Quem não é católico, também encontra a opção com igrejas evangélicas. De um lado, o mar, e do outro, a lagoa. Quem tem força de vontade para trabalhar, não faltam alimentos: peixes, crustáceos e moluscos não faltam na mesa dos moradores, que ainda se servem dessa atividade para o comercio. As mulheres fazem artesanato e os homens vão à pescaria. 
    
Quase toda a extensão da avenida Alípio Barbosa é tomada por estabelecimentos comercias, seja com artesanato ou com comidas típicas. Quem vai ao Alípio, Maré, Renato´s, Peixarão ou qualquer outro estabelecimento do bairro, saboreia a mais autêntica peixada, um delicioso camarão, fritada de siri ou sururu ao molho de coco.
    Visitar o Pontal, é uma volta ao passado. Seus moradores, gentis e simples, mostram o que o bairro tem de mais atraente: o artesanato. Filé, labirinto, rendas e outros produtos confeccionados pelas próprias artesãs., numa tradição que passa de avó para filha, para neta, e bisneta. 

 Bairro preserva o aspecto de uma cidade do interior

Casa simples, ruas estreitas, a pracinha central  gente nas calçada, dão ao Ponta da Barra um aspecto de cidade do interior. Só o intenso movimento de veículos no fim de semana que quebra essa monotonia e leva ao bairro dezenas de turistas que vão conhecer e adquirir o típico artesanato alagoano. As brisas do mar e da lagoa proporcionam um clima agradável aos seus moradores e visitantes. Os pescadores reunidos às margens da lagoa Mundaú contam suas historias fantásticas e reclamam da poluição, enquanto as donas de casa preparam o almoço baseado em peixe e crustáceos. Também não perdem tempo, debruçando-se no trabalho artesanal, confeccionando toalhas, colchas, vestidos blusas tapetes e outros objetos típicos, apreciados por todos que visitam o bairro, seja turista ou morador de Maceió.Durante a noite, reúnem-se nas praças, calçadas ou assistem TV. Para o consumo do dia-a-dia, recorrem às pequenas mercearias. Mas as compras maiores são sempre feitas nos supermercados do Centro. O bairro dispõe de linha de ônibus para o Centro, Terminal Rodoviário e o Shopping Center Iguatemi.

Encontro da lagoa como mar: um espetáculo de rara beleza

 

Desde os tempos mais remotos, quando a vila de Maceió disputava o poder econômico e político com a capital da Capitania e Província de Alagoas, o Pontal da Barra era passagem obrigatória entre as duas localidades. Os viajantes já apreciam o encontro da lagoa como mar, navegando até chegar ao porto do Trapiche. As casas típicas dos pescadores e suas embarcações davam um ar de arrebalde ao lugar, que depois se transformou num bairro e o principal centro de artesanato da capital.
   Quem passa pela ponte da AL-101-SUL, em demanda a Marechal Deodoro e todo litoral do sul do estado, depara-se com um espetáculo de rara beleza: o encontro da lagoa como mar. Barcos, Jet-skis e as canoas dos pescadores dão um colorido especial a esse verdadeiro paraíso disputado por hoteleiros de todo o país. Projeta-se a construção de um hotel cinco estrelas e um centro de convenções no local próximo ao Detran. 
   Antes do progresso chegar, o Pontal da Barra tinha dunas em toda sua orla marítima. O desmatamento e a construção da Salgema (Triken) acabaram com esse visual, mas a empresa montou um “cinturão verde”, que proporciona a preservação da fauna e da flora.

Passeio de barco é a atração do Pontal

 

Um passeio de barco pelas ilhas e canais das lagoas Mundaú e Maguaba é a grande atração pra quem visita o Pontal da Barra. Com a inauguração do Terminal de Pesca e Turismo, o serviço ficou mais seguro e confortável. O novo serviço foi entregue a população graças ao esforço conjunto da Fundação Teotônio Vilela, a Empresa Municipal de Turismo, a Colônia dos Pescadores Z-2 e o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID.Quem tem a oportunidade de fazer esse passeio, usufrui de uma beleza incomparável. São cerca de dez ilhas da lagoa, com parada para banho, o bonito visual dos coqueirais, a prainha na Barra Nova e um almoço típico. 

 

Tudo isso pagando-se cerca de R$ 15,00 por pessoa, com direito ainda a frutas, sucos e música ambiente, num percurso que dura mais ou menos quatro horas.

 

Agora o Terminal Turístico dispõe de áreas de embarque e desembarque de passageiros, setores de degustação e armazenamento, posto de informação e um local para exposição de artesanato. Também terá espaço para o comercio de artesanato proporcionando ainda área especifica para quem gosta de pescar a famosa agulhinha, peixe típico muito consumido nos bares de Maceió.

 

 

Filanzeiras têm tradição secular

   As filanzeiras do Pontal da Barra são famosas em todo país. Bairro bucólico entre o mar e a lagoa, surgiu de uma aldeia de pescadores. As mulheres procuravam o que fazer, enquanto os maridos pescavam. E encontraram uma boa fonte de renda: o filé.
   A técnica do filé tem origem e os pontos dos bordados se transmitem de mãe para filha, que vão adaptando-se as sugestões modernas. Hoje, encontram-se caminhos de mesa, pano de bandeja, toalhas, colchas, saídas de praia, chapéus, xales, blusas das cores mais variadas, expostos nas calçadas das casas do Pontal, proporcionando um colorido que atrai cada vez mais os turistas interessados na aquisição desse típico artesanato. 
   O interessante é que a confecção do filé passa por uma fase inicial, corresponde ao traçado feito na grade, semelhante ao das redes de pescar. Em sua origem, a atividade dessas bordadeiras surgiu paralelamente ao trabalho masculino em áreas pesqueiras. Toda a técnica das filanzeiras pode ser acompanhadas pelos turistas que percorrem as ruas estreitas do bairro, visitando os diversos artesanatos.

Restaurante do Alípio, a marca registrada do bairro

   Quando o empresário Alípio Barbosa decidiu investir no Pontal da Barra, já apostava no sucesso do seu empreendimento. Conhecedor do ramo, partiu para mais essa empreitada, depois de vários anos de luta no dia-a-dia de um restaurante. Lançou-se em mais esse desafio, enfrentado dificuldades, como o acesso da clientela, já que as estradas eram precárias. Mas venceu, e projetou-se nacionalmente. Varias personalidades do mundo artístico, político, econômico e cultural passaram pelas mesas desse restaurante, que continua sendo administrado pelos filhos do velho Alípio, falecido no inicio dos anos 80.
   O Alípio cresceu e expandiu suas atividades para a orla da Ponta Verde. Mas o forte mesmo é o restaurante do Pontal. É lá que se serve a autentica peixada, fritada de siri e o camarão. Ambiente agradável, com a cordialidade de seus proprietários, é freqüentado pela intelectualidade alagoana. Espaçoso, proporciona conforto e segurança, mas não deixa de ser rústico, aproveitando-se as brisas do mar e da lagoa. 
   Na década de 80, quando da administração do prefeito Djalma Falcão, inaugurou-se a Avenida Alípio Barbosa, uma justa homenagem do povo de Maceió a esse alagoano de Paulo Jacinto que viveu, á noite, proporcionando alegria a milhares de pessoas. Filho de um senhor de engenho de Paulo Jacinto, Alípio Barbosa, logo cedo, enveredou pelo comercio, morando no Rio de Janeiro, e depois transferindo-se para Maceió, onde por muito tempo detinha um restaurante na bairro da Levada. Depois inaugurou o saudoso restaurante Caiçara, administrou um outro na Motonáutica Lagoa Clube e, finalmente, inaugurou o Alípio. Pouco tempo após sua morte, falece também sua esposa, a professora Eunice Aguiar Barbosa. Mas seu patrimônio continuou sendo administrado pelos seus filhos Alípio Jorge, Marcos, Rogério e Sérgio, além da única filha Rejane. A família cresceu e manteve a tradição.

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo,  06 de outubro de 1996.

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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