Fernão Velho

Informações

Área: 2.66 Km²

População fonte IBGE: 5.752 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 28

Região Administrativa: 4

Crédito fotos: www.gazetaweb.com

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História

Pesquisa e Texto: Jair Barbosa Pimentel

                                                                   O desafio do barão e o desinteresse do hoteleiro 
A Historia da indústria têxtil em Alagoas, inicia-se exatamente em Fernão Velho, quando José Antonio de Mendonça, o barão de Jaraguá, inaugurou em 1858, a primeira fábrica de tecidos da então província. Foi um desafio daquele empreendedor, que deu certo. Por quase 140 anos, a fábrica funcionou passando pela fase do barão, de um comendador, outros industriais, até chegar a família de Othon Bezerra de Melo, de Pernambuco, que enveredou pelo ramo hoteleiro, desinteressou-se pelo têxtil, e acaba de fechar aquela unidade industrial. No apogeu da indústria têxtil, a fábrica Carmem, de Fernão Velho, chegou a possuir cerca de 4 mil empregados, que viviam no distrito com todo conforto e segurança, em casas padronizadas, com energia elétrica, água canalizada e rede de esgotos, alem e lazer completo, salário em dia e todos os direitos trabalhistas.

Os bailes do Recreio Operário, o Natal, o Ano Novo, o Carnaval, o São João e outras festividades são lembradas pelos moradores com muita saudade. O distrito industrial, sempre foi festeiro. Era visitado por gente da capital, Rio Largo, Satuba, Utinga e outras localidades servidas pela linha férrea.
   Fernão Velho detém uma população de mais de 10 mil habitantes, bem superior a dezenas de cidades alagoanas. Sempre dependiam da fábrica. Com crise na industria têxtil, a fábrica foi reduzindo a produção, desempregando dezenas de trabalhadores que, aos poucos, se integravam em outros setores, em Maceió, e o distrito passou a servir mais para dormitório, com maioria passando o dia na capital e voltando a noite.

                                  Nos tempos do barão e do comendador

   A fábrica de Fernão Velho já pertenceu a um barão e a um comendador, respectivamente a o barão de Jaraguá e o comendador Jacintho Nunes Leite. Quando o grupo Othon Bezerra de Melo, adquiriu a unidade industrial, toda a estrutura já estava montada.
   Os Bezerra Melo imprimiram a modernização, chegando aos tempos da legislação trabalhista. O Sindicato dos Trabalhadores sempre manteve-se em sua missão de lutar pela melhoria da classe operária, conquistando muitos benefícios.
   Mas nos tempos do barão e do comendador, mesmo sem a CLT, todos os trabalhadores recebiam assistência completa. A fábrica servia de modelo na economia alagoana.

Mata Atlântica continua preservada em Fernão Velho

   O pouco que existe de Mata Atlântica em Alagoas, continua sendo preservada em Fernão Velho. Ainda existe muito verde circundando o distrito. Mas grande parte do patrimônio da família Bezerra Melo foi devastada para dar lugar a loteamentos, principalmente na parte mais alta.
   O açude, rodeado de mata, é uma atração à parte a todos aqueles que se dirigem a Fernão Velho pela rodovia. A paisagem é deslumbrante. O distrito é margeado pela lagoa Mundaú, proporcionando um dos mais bonitos visuais de Alagoas. As matas de Fernão Velho já serviram para a caça e, ainda, para treinamento militar. Os futuros proprietários (se aparecer algum investidor) devem preservar aquele paraíso.

Moradores ainda preferem o trem

   A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) continua assegurando o transporte dos moradores de Fernão Velho, que pagam uma passagem mais barata, tem horários determinados para ir e vir a capital, e ainda usufruem de uma bonita paisagem beirando a lagoa Mundaú. Desde o século passado, o distrito é servido pelo trem de passageiros. Antes, o movimento era mais intenso, já que passavam os trens em demanda a Paquevira, Porto Real do Colégio e o Recife.
   A estação era outro ponto de lazer para os jovens do distrito, que paqueravam os passageiros ou recebiam encomendas. Com uma longa plataforma, a estação também servia para os ambulantes. Em dia de festa, fervilhava de gente vinda de Maceió, Rio Largo e outras cidades.

O povo de Fernão Velho é trabalhador e festeiro

   Por quase um século e meio, Fernão Velho viveu dependendo basicamente da sua fábrica de tecidos, trabalhando em três turnos. Mas a população sempre teve uma fama hospitaleira e festeira. O Natal, o Ano Novo, o Carnaval, a festa do padroeiro, o São João e os bailes do Recreio Operário, atraiam muitos visitantes que chegavam de trem para se juntar à alegria contagiante de seus moradores.
   Todo este espírito festeiro, inspirou o prefeito Ronaldo Lessa a promover o mais animado São João do Estado naquele distrito industrial, levando muita gente da capital e de outras cidades, contratando as melhores bandas de forró, e transformando o local num autêntico arraiá.
   Vez por outra algum festeiro tem uma idéia e lança uma atração para “agitar” os moradores e visitantes. Assim, surgiu o Festival da Mão de Vaca, que passou para o calendário festivo do distrito. No Carnaval, a população sai às ruas, com blocos, para se divertir num ambiente que forma uma grande família. Tudo é motivo de festa. Os bares e restaurantes servem os melhores pratos com uma culinária típica da região da lagoa Mundaú. Não falta musica ao vivo e um povo festeiro e hospitaleiro.

Moradores não dependiam dos serviços do governo

   Desde sua fundação Fernão Velho nunca dependeu dos serviços públicos, até a coleta de lixo era dependência da fábrica. Escolas, postos de saúde, cinema, clube social, lojas, mercearias e outros serviços, sempre foram fornecidos. Lazer, cultura e consumo, perto de todos, sem necessidade de se deslocar até a capital.
   Antes do advento da televisão, os moradores de Fernão Velho tinham o Cine-teatro. Nos fins de semana, bailes no Recreio Operário ou manhãs de sol e jogos no outro clube, vizinho a fábrica. As crianças começavam cedo a estudar, sempre de graça e de excelente qualidade.
   Ruas saneadas, arborizadas, as praças conservadas, casas pintadas, mesa farta e um povo bom e hospitaleiro, assim era Fernão Velho dos velhos tempos. Hoje, tudo depende da prefeitura, e sofre os mesmos problemas dos bairros da periferia.

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 08 de dezembro de 1996.


Video sobre Fernão Velho - Produzido pela TV Alagoas

 

FERNÃO VELHO

A fábrica têxtil Carmem do Barão de Jaraguá,
desenvolveu uns dos bairros mais antigo de Maceió.
Ficarão também nas páginas da história,
os bailes do Recreio Operário.
                                       
Além de bairro festeiro,
teve uma população invejável.
Com a crise industrial,
passou a ser um bairro dormitório.
                             
Nunca pedeu a fama de hospitaleiro e festeiro.
Já teve, o São João mas animado do Estado.
Para manter a tradição, surgiu  o Festival da Mão de Vaca.
                      
Do passado ficou gravado na memória:
ruas saneadas, arborizadas,as praças conservadas,
mesa farta e casas pintadas. Hoje sofre como toda periferia.

- Ari Lins Pedrosa-

 

 

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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