Mutange

Informações

Área: 0,54 Km²

População fonte IBGE: 2.632 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 10

Região Administrativa: 4

Crédito fotos: José Ademir

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

O Bairro do Mutange foi criado através lei municipal 4953 em 06 de janeiro de 2000. Altera a lei Nº 4.687/98, que dispõe sobre o perímetro urbano de Maceió, a divisão do município em regiões administrativas e inclui o abairramento da zona urbana e da outras providencias.

Aranldo Fontan - Prefeito em exercício  (Publicado no Diario Oficial do Municipio em 07/01/2000)

Ponto inicial e final:
Encontro da Rua General Hermes com a Rua Ulisses Bandeira (Gruta do Padre)

Descrição do perímetro:
Do ponto inicial segue pelo prolongamento da Rua Ulisses Bandeira até a margem da Lagoa Mundaú. Segue pela margem da Lagoa Mundaú até o prolongamento do limite lateral direito do imóvel de n.3219 da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro ( Clínica de Repouso José Lopes de Mendonça. 
Segue por este prolongamento e depois pelo limite lateral citado até a Avenida Major Cícero de Góes Monteiro. Segue por esta até o encontro com a Primeira Travessa Delmiro Gouveia. Segue por esta ultima até o encontro com a Trav. Delmiro Gouveia, no topo da encosta. Segue por esta até o encontro com a Rua do Arame. Segue pela Rua do Arame e depois pela Rua Cel. António P. da Silva até o cruzamento com a Alam. Dr. Claudeonor de Albuquerque Sampaio. Deste ponto, segue pela Alam. Dr. Claudeonor A. Sampaio até encontrar o topo da encosta. Segue em linha reta do topo da encosta em direção a testada posterior dos imóveis da Rua Delmiro Gouveia. Continua pela testada posterior dos imóveis da Rua Delmiro Gouveia indo em direção ao seu término, no encontro com a Gruta do Pé. Cícero R. Batista. Daí segue até o ponto inicial no encontro da Rua General Hermes com a Rua Ulisses Bandeira (Gruta do Padre).

A história do Estádio do Mutange

Fonte site museu dos esprote www.museudosesportes.com.br

Tudo começou num passeio de bonde do antigo craque do CSA, Polichinelo (Odulfo Ribeiro) e Virgílio de Brito. Este, um grande idealizador da campanha que culminou com a obtenção do terreno e a construção do estádio do mutange. Apanhando o bonde na praça do Governo, hoje a tradicional Praça dos Martírios, onde se localiza o Palácio do Governo Estadual, os dois desportistas passaram pelo local, que na época era onde se situava o “Grande Ponto Parque” (um parque de diversões com bares e bazares). Virgílio de Brito confessava o seu sonho de transformar aquele lugar na sede e estádio do CSA. Os dois saltaram do bonde e, procuraram saber quem era o dono do terreno. Foram informados de que o dono era Alfredo Vugner.

O CSA precisava de um estádio e esse sonho alimentou os planos de Virgílio de Brito que, ao saber o nome do dono do terreno em Bebedouro, arquitetou uma manobra para conseguir com seu entusiasmo o local para a construção de um patrimônio azulino. Foi assim que, mesmo sem divulgar suas intenções, Virgílio de Brito programou um torneio interno no CSA e deu a um dos times participantes o nome de “Alfredo Vugner”. Sabedor de que seu nome estava sendo homenageado através de uma equipe, Alfredo Vugner ficou imensamente entusiasmado e mesmo sem ser um grande admirador do futebol, compareceu aos jogos do torneio interno e até resolveu ofertar um rico troféu ao vencedor. Sabiamente, Virgílio de Brito havia formado o melhor time do torneio com o nome de Alfredo Vugner. Um time que terminou sendo campeão e recebeu do seu patrono o rico troféu. Tal acontecimento empolgou mais ainda o dono do terreno onde ficava o Grande Ponto Parque, que resolveu se tornar um dos sócios do CSA. Estava aberto o caminho para os planos de Virgílio de Brito.

Ganhando a admiração e a confiança do novo associado não ficou difícil para Virgílio de Brito expor o seu sonho de procurar um local para construir o próprio campo do CSA. E foi mais fácil ainda confessar para Alfredo Vugner que tinha achado um local maravilhoso em Bebedouro, mas que não sabia quem era o dono do terreno para poder negociar. E quando ele declarou que era o dono do tal terreno, Virgílio de Brito fingiu um supressa incrível, como se tudo aquilo não significasse o desfecho favorável dos seus planos.

O terreno, porém, já estava sendo negociado com uma firma alagoana, mas que nada havia de definitivo. Contudo, Alfredo Vugner garantiu que se o negócio não ficasse concluído, ele faria todo esforço para vendê-lo ao CSA. E assim aconteceu. O terreno era muito grande. Começava na beira da Lagoa e terminava na avenida que dava acesso ao bairro de Bebedouro. Um terreno muito grande e que custou ao CSA a quantia de trinta mil réis. Como não havia dinheiro, Alfredo Vugner facilitou tudo para o clube azulino. Aceitou duas promissórias de quinze mil réis, que foram descontadas no Banco de Alagoas, hoje Banco do Estado de Alagoas. Na data do vencimento, o clube azulino ainda não tinha o dinheiro e o jeito foi firmar um acordo com o desportista Aristeu Bastos, que resgatou a promissória ficando de receber o dinheiro do CSA posteriormente.

Enquanto tudo isso acontecia, a construção do estádio foi iniciada. Foi um esforço conjunto de todos os associados, diretores e jogadores que, a cada domingo e feriado, compareciam ao mutange para desbravar o terreno rolando toros de madeiras, derrubando árvores, pegando pás e picaretas. Muita gente boa, altos comerciantes, bancários, desportistas, formaram o bloco de trabalhadores para preparar o gramado. Pessoas como Manoel Lopes Pinto, Osvaldo Machado, Aguinaldo e Osvaldo Florêncio, Francisco Rizzo, Vicente Grossi, Miguel Cardoso, Manoel Buarque, Antonio Bispo, Manuel Campelo, Ernesto Silveira, Eudes Coelho da Paz, Davino e Aristides Ataide, Luciano Lordslem, Lessa de Azevedo, José Angelo, Manoel Ferri, Aloisio Nogueira, Alberto Fontan, Antonio Bessa, Antonio Bráulio, Odulfo Ribeiro, Virgilio de Brito e mais alguns.

Havia um consenso inabalável. Todo mundo desejava levantar o CSA, tornando-o forte, dono de um patrimônio enorme e imbatível. As esposas e filhas também prestaram sua colaboração, comparecendo à frente de batalha trajando uniforme do clube e ajudando os homens em seus esforços, inclusive distribuindo refrescos e bolinhos. Era um autêntico mutirão.

Somente em 1934, na gestão do presidente Paulo Pedrosa é que o terreno foi regularizado. Aristeu Bastos, que resgatou as promissórias e era cunhado de Paulo Pedrosa, residia no Rio de Janeiro. Demonstrando se desfazer do terreno onde já estava o campo do mutange, Aristeu tentou entrar em acordo com o CSA. Com a falta de dinheiro, Paulo Pedro sugeriu que o clube ficasse com parte do terreno por vinte contos de réis que seriam pagos em quatro prestações de cinco mil reis. Aristeu Bastos aceitou a proposta do cunhado e o presidente azulino fez uma campanha de novos associados para conseguir arrecadar o suficiente para pagar o local do estádio do mutange.

Inaugurado em 1922, o mutange sofreu algumas alterações ao longo do tempo. As primeiras arquibancadas de madeira tinha as formas mais modernas para a época. O próprio tempo se encarregou de enfraquecer a madeira e destruir parte das arquibancadas. A partir da metade da década de trinta, as arquibancadas de madeira já não tinham as mesmas marcas da modernidade. Mas, para chegar ao mundo de cimento e concreto, o mutange partiu de um campo com dependências acanhadas, arquibancadas de madeira de um lado e uma geral sem muitas condições, formada apenas por uma pequena barreira que acompanhava dois lados do campo. Na administração no presidente Benicio Monte, o mutange ganhou arquibancadas de cimento armado, gerais de alvenaria e iluminação artificial. Para a época, o mutange se transformava no mais moderno estádio de futebol de Alagoas. Até a inauguração do Trapichão, os maiores espetáculos esportivos realizados em nossa terra foram disputados no mutange graças ao entusiasmo dos azulinos e um homem de visão chamado Benicio Monte.

Na década de setenta, os presidentes Fernando Collor e Aurélio Lages chegaram a construir duas piscinas e uma concentração. Infelizmente, os dirigentes que o substituíram não continuaram sua obra e o tempo se encarregou de destruir tudo que tinha sido erguido. E tudo acabou com o presidente João Lyra. Apesar de ter colocado o futebol do CSA em lugar de destaque, conquistando alguns títulos importantes, o presidente não cuidou do patrimônio do clube. Ao contrário. Destruiu as arquibancadas de cimento prometendo erguer novas e modernas acomodações para o torcedor e tudo ficou o dito pelo não tido. Hoje, o mutange é um campo de futebol. Na nova diretoria, o presidente José Venâncio, tem no conselheiro Euclydes Mello seu grande comandante. Eles fizeram um pacto para reconstruir o Estádio do Mutange. Em 1996, foram feitas as primeiras obras para recuperar seu estádio. Substituição de todo o serviço de drenagem, do alambrado, recuperação e pintura do muro, colocação de um novo portão, melhoria na concentração, nivelamento do terreno para construção de futuras arquibancadas e limpeza total da área. O visual é outro e a torcida já começa a acreditar que 
poderá, ter em breve, a sua casa renovada. O mutange ainda não dispõe de instalações adequadas para o conforto de sua torcida, mas o primeiro passo já foi dado.

Dia 15 de novembro de 1922.
Centro Sportivo Alagoano 3 x Centro Sportivo do Perez de Recife 0
O primeiro gol no mutange assinalado por Odulfo. Outros gols:Alyrio e Bráulio.
Estreiava no CSA o goleiro Mendes, chamado de Gato do Nordeste.
O CSA jogou com Mendes. Rosalvo e Hilário. Campelo. Mimi e Lindolfo.
Alyrio. Bráulio. Odulfo. Passos e Nelcino.
O Perez com Mario. Abelardo e Euclides. Poggy. Lobo e Passos.
Manta. Jorge. Theodoro. Guaray e Bello.

A primeira iluminação no campo do mutange aconteceu no ano de 1934. Foi a grande novidade da temporada. O Nordeste, clube que pertencia a Cia. Força e Luz Nordeste do Brasil S/A, resolveu colocar uma iluminação provisória no campo do mutange para a realização de três jogos do Tramways do Recife.

A iluminação consistiu na colocação de 100 refletores pequenos num total de trinta e quatro mil velas. Para a época, era uma iluminação razoável. A outra novidade, era a bola pintada de branco. Não havia bola para os jogos noturnos, e o jeito mesmo eras pintar as de cor marrom, usadas nos jogos diurnos.

O primeiro jogo foi realizado no dia 20 de outubro com o Tramways de Recife vencendo o Nordeste por 5x3. No dia seguinte, contra o CSA, o jogo foi pela tarde, e nova vitória do clube pernanbucano: 3x2.

A iluminação definitiva aconteceu em 1950 quando da gestão do presidente Benicio Monte. Primeiro, o presidente construiu as arquibancadas de cimento armando e as gerais de alvenaria. Logo depois, colocou energia elétrica no mutange. Foram oito postes com seis refletores em cada poste. O primeiro jogo aconteceu no dia 24 de maio de 1950; Santa Cruz de Recife 3 x CSA 0. O primeiro gol foi assinalado pelo Guaberinha. A novidade desta partida foi o arbitro inglês Mr. Lowe, que era radicado no futebol pernambucano.


MUNTANGE

Tudo aconteceu através de um passeio de bonde.
Dois antigos jogadores do Centro Sportivo Alagoano
(Polichinelo – Odulfo Ribeiro – e Virgílio de Brito),
fizeram uma  companha para contrução de um campo.

O sonho dos jogadores era transformar
o terreno onde ficava o Grande Ponto Parque
em um estádio do Muntange, que hoje é um marco.
                  
O bairro é acordado toda manhã pelo trem ,
que vai levando esperança e deixando um amém.
Seus morros histórios avistam a lagoa Mundaú.      
                                                
Hoje a  Avenida Major Cícero de Góes Monteiro
faz o bairro pulsar. Tudo passa por ela:
as histórias e os folclóricos sonhadores .
                       
Ari Lins Pedrosa

Bairros de Maceíó © 2002-2017

Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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