Ponta da Terra

Informações

Área: 424 Km2

População fonte IBGE: 8.403 hab. fonte: IBGE 2010

Quantidade de logradouros: 26

Região Administrativa: 1

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História

Pesquisa e Texto: Jornalista Jair Barbosa Pimentel     

 A parte pobre da área nobre de Maceió

          Antes de se tornar famoso em todo o País, o  bairro  da Ponta Verde, com seus edifícios de apartamentos  e sua bonita praia, era um imenso sítio de coqueiros, que pertencia ao bairro de Ponta da Terra, um dos mais antigos da capital, que remota  ao  início do atual século. Hoje, resume-se algumas ruas, com residências e casas comerciais, abriga cerca de 20 mil habitantes e se divide com a Ponta Verde, Pajuçara, Poço e Jatiuca.

        Conta o historiador Craveiro Costa, em seu livro ”Maceió”, que na década de 1920, com a opção dos ricos da época pela Pajuçara, onde construíram casas de veraneio, os pescadores foram se transferindo para a Ponta da Terra, surgindo novas ruas, com casas modestas, geralmente cobertas com palhas de coqueiros.

        O bairro foi encolhendo aos poucos, com muitas das suas ruas sendo tomadas pela Pajuçara e Ponta Verde. Seus moradores ainda preservam a tradição de se reunirem nas calçadas  à noite, para conversar sobre todos os assuntos. Nos fins de semana freqüentam as praias e, durante a semana , trabalha, geralmente no centro da cidade, utilizando as dezenas de ônibus que passa pelo bairro.

 Álvaro Otacílio foi um dos fundadores da Ponta da terra

        Um dos fundadores dos bairros da Ponta da Terra, foi o alagoano de Marechal Deodoro, Álvaro Otacílio, hoje, nome da principal avenida da orla marítima da Ponta Verde e Jatiuca. Ele era proprietário de sítios de coqueiros naquela área, que aos poucos foi loteando, para dar lugar à construção de casas e edifícios de apartamentos.

       Álvaro Otacílio nasceu em 1898, na antiga Capital alagoana, saindo de lá ainda pequeno para residir em Maceió. Comprou vários terrenos na Ponta da Terra, e foi aumentando seu patrimônio. Aos 14 anos de idade, trabalhava como  vendedor de uma loja de tecidos em Jaraguá, o principal centro comercial de Maceió, nos primeiros anos do atual século. Depois tornou-se  dono de loja .Faleceu em 20 de março de 1963.

      Outros proprietários de sítios de coqueiros foram se desfazendo de seus bens, depois da ascensão da Pajuçara, exigindo a abertura de ruas na Ponta da Terra, onde no século passado era só coqueirais, com uma ponta de terra avançando para o mar, e, dando origem ao nome do bairro que floresceu a partir dos anos 30.

 Bonde dá lugar  a  trânsito agitado

     O passeio de bonde até a Ponta da Terra era um dos divertimentos de jovens e adultos nas décadas de 40 e 50, em Maceió. O bonde saía do Trapiche da Barra, passando pelo Prado, Centro , Jaraguá e Pajuçara terminando na Praça na Praça Lyons, início do bairro da Ponta da Terra.

      Os saudosistas desse meio de transporte lembram de Maceió daquela época, quando não existia esse trânsito  tumultuado. Os bondes e os carros de passeio, movimentavam o dia-a-dia do Maceioense.

     Os bondes de Maceió foram desativados no final da década de 50, com a ascensão dos micro ônibus, conhecidos como “sopas”, que serviam aos diversos bairros da cidade. Esse meio de transporte teve vida curta, sendo substituído pelos ônibus maiores, que continuam servindo a população.

 Ruas do bairro homenageiam as personalidades da época

          Políticos, comerciantes e intelectuais que marcaram época no início do atual século, tem  seus nomes  imortalizados nas ruas do bairro da Ponta da Terra, na Zona Norte de Maceió. As ruas, são poucas, já que muitas foram “engolidas” pela Pajuçara e Ponta Verde. Uma das principais é a Domingos Lordsleen, antiga Rua da Boa Vista, que tem em seu patrono  uma das figuras mais conhecidas da Capital alagoana nos primeiros anos do século. Nasceu em Marechal em 1849 e faleceu em Maceió em 1929. Foi fundador da Relojoaria  Lordsleen, que funcionava na rua do Comércio no Centro. Profundo defensor das artes, presidiam por muitos anos o Montepio dos Artistas  e o Liceu de Artes, e ingressou na política, elegendo-se Deputado Estadual.   

Outra importante rua da Ponta da Terra, é a Firmino Vasconcelos, um sergipano que se radicou em Alagoas, sendo prefeito de Maceió  por três gestões nas duas primeiras décadas do atual século. Era farmacêutico, com sua Farmácia Firmino, da Rua do Comércio. A rua , antes de receber o nome desse político era conhecida como ”Rua do Barbeiro” e, também, “Rua das Quixabas”.

        A Rua Lafayete Pacheco, outra do bairro da Ponta da Terra, é uma homenagem prestada a esse alagoano de Maceió, que foi, por muitos anos, vendedor da Loja Brasileira Galvão. Era  um humorista nato. Fundou o “Bacurau”, um jornal que fez muito sucesso nos anos 20 e 30, em Maceió.

 

             Comércio vem se expandindo por todas as ruas do bairro   

 

Encravado entre a Pajuçara e Ponta Verde, o antigo bairro  da Ponta da Terra também vem se tornando, aos poucos, uma área comercial. Seus moradores dispõem de mercadinhos, padarias, farmácias, bares, lanchonetes e outros Estabelecimentos Comerciais. As ruas já receberam melhoramentos, como pavimentação e rede de esgotos e a proximidade com as praias garantem o lazer  no fim de semana.

As donas-de-casa dispõem do Supermercado Bom Preço, que fica na Pajuçara, mas já na divisa do bairro. Se optarem por frutas e verduras, já contam com os conhecidos “sacolões” e andando mais um pouco compram o peixe fresco na balança da Pajuçara.

Os vendedores ambulantes oferecem de porta em porta: peixe, sururu, inhame, batata, verduras, legumes, frutas , picolé, munguzá, tapioca e cuscuz.

 

      População festeja intensamente, o Natal, carnaval e São João

             

Festeiro por tradição, os moradores da Ponta da Terra passaram a contar com uma das mais famosas casas de festejos da cidade: a Nostalgia. Mas antes, nunca deixaram de se divertir. No carnaval, saem  na escola de samba Jangadeiros alagoanos e nos grupos de Bumba-meu-boi. Em período junino, muitas das ruas se enfeitam para promover as famosas quadrilhas, que disputam o campeonato das melhores da cidade. Nem a pavimentação das ruas acabou com a tradição das fogueiras, que são instaladas no Santo Antônio, São  João  e São Pedro.

Os festeiros moradores da Ponta Verde começam a cair no frevo logo depois do reveillon. As ruas são animadas com blocos e ainda a meninada que sai com o bumba-meu-boi, pedindo colaboração financeira para desfilar no carnaval.

 

 

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 23 de junho de 1996.

 

 


 

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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