Maceió em Verso & Prosa

Maceió Antiga

Nas janelas verdes, miúdas;
nas férias de Natal, em Maceió,
na Pça. Moleque Namorador,
na Rua do Sol, em Jaraguá velha
que cheira a açúcar mascavo
o som da salsa da amiga Célia Cruz.
Não conheci meu avô,
maestro José Ricardo;
só saboreei bons-bocados
e galardões amiúdes de vovó Lu.
 
E o cine São Luís, que não existe mais,
e as lojas Quatro e Quatrocentos – aliás –
onde me empanturrava de brinquedos
na musical Maceió sem culpas nem medos.
De longe, os aboios no Vergel. Um,
apregoava o sururu da lagoa Mundaú;
outro,
TA-RI-OOOOOOOOOOOOOOBA!
MUÇUUUUNIIIIIIIIIIIIIIIIIM!
CAAAAAARAPEEE-Ê-É-EEEEEBA!
CA-MO-Ô-Ó-OOOOOOOORIIIM!
Quem quer tainha da lagoa Manguaba?
Festas de Quilombo, Traineira, festas
de Fandango; mateus no Reisado!
 
Subia à tarde a ladeira do Farol,
embriagava-me de ciência em Fontgalland,
na mirante qu’inda admira vários maceiós,
donde se apresenta o mar,
apresentam-se telhas
de miríades casarões pincelados;
um maranhão de tantos emaranhados –
pontilham os cruzeiros
banhado nas tintas do Sol;

distante de Santana
agreste,
desenhada de marrons rupestres,
sob o cheiro das cachaças
que brotam dos tabuleiros;
sem pensar na vida por um momento,
o povo anda na rua com sua sintaxe,
sem sujeito, complemento ou predicado.
Santana distante
e agreste,
em lugar dos verbos,
as verbas na boca dos políticos
se divertem, passeiam nas praças
sem as palmeiras sóbrias
dos caetés do velho Graça.
 
 
Do livro:
Que achas do Padre beber em serviço ? Edufsc,2004

Bairros de Maceíó © 2002-2020

Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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