Notícia

Por, Bairros de Maceió - 01/10/2006

Maceioenses não conhecem os bairros

Após 6 anos da lei de abairramento, milhares de pessoas não sabem o nome correto do bairro em que moram

Deraldo Francisco
Repórter Especial - O JORNAL
Foto - Marco Borelli

A divisão da cidade de Maceió em 50 bairros aconteceu em 2000, mas, ainda hoje, milhares de pessoas – físicas ou jurídicas – não têm certeza quanto ao seu endereço. Há situações mais graves ainda: são aquelas em que as pessoas pensam que moram num bairro, mas, na verdade, residem em outro. Em Maceió, todo mundo tem certeza de que o Shopping Farol fica, realmente, no Farol. Mas o shopping está localizado no bairro do Pinheiro e muito distante do limite do Farol. O Bompreço Jatiúca, na verdade, está instalado na área territorial de Mangabeiras. Há, em Maceió, cerca de 5.800 logradouros, entre avenidas, ruas, travessas, becos, vilas e praças. No entanto, quase a metade está com problemas na identificação, que vão desde a inexistência de nome até o exagero de nomes e apelidos. Criada a confusão no endereço, vêm os erros na entrega de correspondências, das contas de água, luz e telefone, bem como de outras faturas instituídas pelas vendas a prazo.

Para facilitar a entrega de correspondências, o carteiro José Raimundo resolveu, por conta própria, dar nome às ruas. Para isso pegou emprestado os nomes da esposa, dos filhos, da sogra e do patrão para nomear as ruas. Na rua em que mora, o carteiro colocou o seu nome. Quem mora na Rua Doutor José Correia Filho está autorizado a dizer que não tem certeza sobre o seu bairro. Ocorre que - assim como tantas outras em Maceió - ela fica em três bairros: Ponta da Terra, Pajuçara e Ponta Verde. É comum se dizer, na rua, que se mora na Ponta Verde.

Em 2000 Maceió foi dividida em 50 bairros

No final da década de 90, a cidade de Maceió crescia para tudo quanto é lado, principalmente, na região da parte alta. Tudo era chamado de Tabuleiro do Martins. O crescimento de que a cidade fosse organizada em bairros, com áreas delimitadas. Antes do abairramento de Maceió eram reconhecidas dados, de acordo com a divisão feita pelo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Técnicos de órgãos públicos, como Prefeitura, IBGE, água, de luz e de telefone trabalharam na confecção do novo traçado geográfico de Maceió. Os trabalhos foram concluídos e, em janeiro de 2000, foi feito o atual abairramento de Maceió, respaldado na Lei 4.952. Houve sérias mudanças na organização da cidade e o que eram loteamentos e conjuntos passaram a ser bairros. Com isso, a capital ficou com 50 bairros. O Benedito Bentes passou à condição de bairro e já nasceu grande.
     O Benedito Bentes é, bem de longe, o maior bairro de Maceió, com 24.627 Km2. Ele é 95 vezes maior que o bairro de Santo Amaro, o menor da capital. Em se tratando de território, o Tabuleiro do Martins foi o bairro que mais perdeu área territorial em Maceió. De cara, o bairro perdeu os conjuntos Benedito Bentes I e II, que, juntos, passaram a ser bairro.
    Pela ordem, no quesito tamanho, depois do Benedito Bentes vêm os bairros de Cidade Universitária (20.383Km2), Ipioca (20.48Km2), Riacho Doce (10.38Km2) e Tabuleiro do Martins (8568K2), que era o primeiro em território e passou a ser o quinto. Devido ao território gigantesco do Benedito Bentes, o bairro faz limites com localidades extremas, como Rio Largo e Riacho Doce. Fazem limites com o bairro Rio Largo (ao Norte), Serraria e Jacarecica (ao Sul), Guaxuma, Garça Torta e Riacho Doce (ao Leste) e Antares e Cidade Universitária (a Oeste).
A divisão de Maceió em bairros proporcionou à Prefeitura a criação das regiões administrativas. A idéia era dividir a capital em regiões numa tentativa de melhor administrar cada bairro. Mas, nos estudos, não foram tomadas algumas providências elementares como, por exemplo, explicar à comunidade as mudanças; dizer, às vezes, qual era o bairro onde a sua rua estava situada a partir do abairramento, em 2000.

Mais de 3.600 ruas não tem nome

Dados da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) revelam que, em Maceió, há cerca de 5.800 logradouros (entre ruas, avenidas, praças, vilas, etc), mas apenas 1.781 são oficializados. O levantamento dos Correios mostra que existem 3.600 logradouros sem nomes. Para complicar a vida dos carteiros, existem logradouros com nominação Indefinida, como "Rua Projetada", "Rua de Trás", "Rua do Banheiro", "Rua do Meio". Mas a falta de nomes nas ruas representa tanto problema quanto exagero de nomes, as chamadas homônimas. Há, em Maceió, pelo 25 ruas chamadas São João, outras 21 São José, mais 18 ruas Padre Cícero e 14 Ruas do Arame. No bairro do Jacintinho, há três ruas chamadas São José. Embora seja o maior bairro de Maceió, em se tratando de área territorial, o Benedito Bentes não tem uma única rua com o nome repetido. Já o bairro da Cidade Universitária é o de maior Incidência de ruas homônimas. Ao todo são 60 Rua Ana Emilia de Alencar fica no bairro do Santo Amaro, o menor de Maceió. Mesmo assim há quatro ruas nome.

Dúvidas sobre localização, comuns até hoje

Mais de seis anos depois do abairramento, as dúvidas de hoje são as mesmas de ontem. A maior quantidade de dúvidas está na parte alta de Maceió. Culturalmente, tudo que ficava acima do Cemitério Parque das Flores estava no Tabuleiro do Martins. Ocorre, que, nesse trecho, os loteamentos Santa Lúcia, Santa Amélia e Santos Dumont, o Jardim Petrópolis e o Petrópolis ganharam status de bairros, encurtando o Tabuleiro. No entanto, passado todo esse tempo, não houve uma informação oficial a respeito da criação desses bairros.
Por conta disso, quem mora no bairro da Santa Lúcia ainda grafa como se morasse no Tabuleiro do Martins. O loteamento é bairro há seis anos. Isso leva a confusões, como a do Shopping Farol. Na verdade, ele está instalado no bairro do Pinheiro, mas uma placa afixada   na   calçada. mostra que ali é uma  rua (Francisco Amorim Leão)  do bairro  do Farol, ou seja, a placa que é uma sinalização oficial está desinformando. Como se estivesse certa, a placa traz até o CEP da rua.

Na verdade, o bairro do Farol começa na Avenida   Moreira   e Silva, trecho que fica na  lateral  da  Igreja Bom Jesus dos Martírios, prolongando-se até o lado esquerdo (sentido Pïtanguinha/Pinheiro) da Rua Miguel Palmeira, conhecida pelos constantes alagamentos. Na outra calçada da Miguel Palmeira já é Pinheiro,  que se estende até o muro da empresa White Martins, em frente ao Hospital do Açúcar, ou seja, pela    Avenida   Fernandes Lima, da Rua Miguel Palmeira até o Hiper Farol (que fica na  Gruta de Lourdes), não há nenhum imóvel residencial ou comercial  situado no bairro do Farol.
Do lado direito até a White Martins, todos estão na Pitanguinha e, no esquerdo, no Pinheiro. Depois disso, dos dois lados, o bairro é Gruta de Lourdes, fazendo limites com os bairros de Canaã (lado direito) e Santo Amaro (esquerdo). A partir daí começa a confusão com os bairros de Petrópolis, Jardim Petrópolis e Santa Lúcia. O emaranhado de bairros deixa os moradores confusos.
Para o pesquisador Ademir dos Anjos, que montou um site com todas as informações sobre Maceió, uma forma de facilitar a vida dos Correios e dos moradores seria a instalação de placas estabelecendo os limites entre os bairros. "Dessa forma, tudo seria bem mais organizado. Acredito que esse projeto ainda será aprovado na Câmara de Vereadores e implantado pela Prefeitura de Maceió", disse Ademir dos Anjos.

Carteiro "batiza" ruas de Maceió

Por conta disso, o carteiro José Raimundo dos Santos resolveu dar a sua contribuição no processo de organização das ruas. Nos Correios, ele é chamado de "pai das ruas". For conta própria deu nomes a 115 ruas em Maceió. O carteiro trabalhava no Centro de Distribuição Domiciliar (CDD). Com 30 anos de serviço, ele cansou de se perder nos endereços com nomes de ruas repetidos. José Raimundo não só batizou novas ruas, como mudou os nomes de algumas.
Segundo ele, não havia critério para se nomear uma rua na parte alta de Maceió. Numa rua sem nome, onde ele encontrou três moradores chamados Raimundo, ele a batizou de Rua São Raimundo. Em outra rua, onde um carteiro nunca tinha chegado segundo relatos dos próprios moradores, ele foi pela primeira vez e percebeu que os moradores fizeram uma festa com o fato inédito. "A alegria dos moradores me chamou a atenção, e eu passei a chamá-la de Rua da Alegria", comentou o carteiro.
Para oficializar os nomes das ruas, ele ia de casa em casa comunicar aos moradores o nome do logradouro; em seguida, registrava a rua no sistema  dos  Correios. Como andava meio brigado com a sogra, o carteiro resolveu fazer uma gracinha com ela como forma de fazer as pazes e batizou uma rua com o nome dela. "Depois disso ficou tudo tranqüilo na família",  contou José Raimundo.
Hoje existem, em Maceió, ruas com os nomes do filho do carteiro, da sua esposa, de filhos de amigos e até do seu gerente. Mas, como não poderia deixar de ser, ele batizou com o seu nome a rua onde mora, no Graciliano Ramos: "Rua Mensageiro José Raimundo dos Santos".

 

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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