Pajuçara

Informações

Área: 6,56 Km²

População fonte IBGE: 3.711 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 42

Região Administrativa: 1

Crédito fotos: José Ademir / Gazetaweb.com

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

Pesquisa e Texto:  Jornalista Jair Barbosa Pimentel  

Pajuçara tornou-se o cartão postal do “Paraíso das Águas”

Cantado em verso e prosa por esse Brasil afora, o bairro da Pajuçara, um dos mais tradicionais de Maceió, transformou-se numa referencia para o turista nacional e estrangeiro que escolhe Maceió como cidade preferida para o seu lazer. Sua bonita praia “onde o mar beija as areias” e elogiada por todos que visitam a capital alagoana, pelo azul e verde do mar, sua piscina natural, suas jangadas e sua urbanização e coqueirais. O bairro surgiu no século passado, com um balneário para as famílias ricas que residiam em Bebedouro, Farol e no Centro. Era considerado distante, e a maioria da população era formada por pescadores.

Segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, Pajuçara significa “muito grande”, de grande corpo e estatura.

Alguns historiadores afirmam que a origem do nome é indígena e é escrito “Pajussara”. Assim seguiram os fundadores do Iate Clube Pajussara, no início da década de 1950. Mas o nome do bairro e da praia é conhecido no país inteiro com “ç”, seguindo o próprio dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, que é alagoano e conhecedor do bairro.

   Quando a visita do imperador dom Pedro II a Maceió, em 1859, Pajuçara já existia. Ele visitou o local, que era pouco habitado. Algumas casas de veraneio e muitos casebres de pescadores. Achou a enseada muito bonita.

   Foi na Pajuçara que residiram por muitos anos os ex-governadores Arnon de Mello e o seu filho Fernando Collor de Mello, além de Guilherme Palmeira, Afrânio Lajes e outros políticos, ricos empresários e intelectuais. Os velhos casarões da Epaminondas Gracindo e da Antonio Gouveia foram modificados, sediando casas comerciais, ou derrubados para construção de edifícios de apartamentos e hotéis.

   Por lá, viveu sua infância, o ator Paulo Gracindo, que fez carreira brilhante no teatro e na televisão. Sua casa ficava no local onde ergue-se o Hotel Enseada. Famílias como a do próprio Paulo Gracindo (Gracindo Brandão), os Soares Palmeiras, os Lopes, Simons, Conde, Jatobá, Rossiter, Guimarães e tantas outras, viveram muitos anos no bairro e formaram muitas gerações.

   O Colégio Imaculada Conceição é outro ponto de referencia da Pajuçara, com sua capela em frete ao mar. O antigo Cine Rex, a praça da Liberdade, a Escola Samba Jangadeiros Alagoanos, o Regatas e seus bailes, o seu campo de futebol e os bondes que passavam pela Epaminondas Gracindo, são lembranças que ninguém que viveu no bairro, esquece

          Bondes eram a atração do bairro nos anos 40 e 50

    Quando Maceió ainda era uma cidade provinciana, sem edifícios de apartamentos, shoppings centers, e supermercados, os moradores da Pajuçara andavam de bonde, meio de transporte que atendia a ricos e pobres, numa época em que carros de passeio era muito difícil.

   Normalistas estudantes do Instituto de Educação, do Colégio de São José e do Sacramento e rapazes secundaristas do Diocesano, Guido, Lyceo e outros colégios faziam o percurso da Pajuçara ao Centro e o Farol, neste tipo de transporte.

   Sobre trilhos que percorriam bairros com Bebedouro, Mutange, Bom Parto, Cambona, Farol, Centro, Prado, Trapiche, Jaraguá e Pajuçara, os bondes de Maceió deixaram saudades. Não poluíam o ambiente, nem tinha concorrentes, como os ônibus de hoje que disputam usuários com as Kombis-lotação.

   Na Pajuçara, o ponto final era na Praça Lyons, já na divisa com a Ponta da Terra. Paravam nas Praças da Liberdade, do Rex, e na Rua Jangadeiros Alagoanos.

Moradores antigos ainda se reúnem nas calçadas

   Quem mora mais afastado da orla marítima, em ruas como Elísio de Carvalho, Almirante Mascarenhas, Ouvidor Batalha e do Cravo, ainda conservam o habito de se reunir nas calçadas para “jogar conversa fora”. São pessoas que residem no bairro há vários anos, e formam verdadeiras famílias. Ficam ate tarde da noite, durante o verão “se refrescando”, para enfrentar o calor da madrugada.

   A rua Elísio de Carvalho é onde vivem os mais antigos moradores. São viúvas e aposentados, que gostam de reclamar do custo de vida, relembar o passado ou comentar algum fato que viu na televisão.

   Logo cedo da manhã são despertados pelos vendedores de munguzá, de pão, os verdureiros e outros ambulantes, que fazem a propaganda no grito, tentando vender o seu produto. Muitas donas-de-casa nem precisam ir para a bodega de esquina. Compram tudo na porta mesmo. Mas se querem fazer compras mesmo em maior quantidade, dispõem do supermercado Bompreço, de mercadinhos e dos sacolões. 

Lazer e comércio disputam espaços em todo o bairro

   Depois de sua urbanização ocorrida há mais de duas décadas, o bairro da Pajuçara passou a ser o principal atrativo de lazer para alagoanos e turistas. Começaram a chegar, então, os comerciantes, que queriam abocanhar essa fatia de consumidores ávidos por divertimento. Surgiram os bares, restaurantes, boates, supermercados, mercadinhos e outros pontos de vendas. Ruas como a jangadeiros Alagoanos e Epaminondas Gracindo, são hoje ocupadas por casas comerciais, enquanto a orla marítima, fica com os hotéis e edifícios de apartamentos. Quem mora na Pajuçara, dispõe de todos os serviços ao seu lado. Tem o supermercado Bompreço, mercadinhos, açougues, farmácias, padarias e outros estabelecimentos comerciais. Se quer um peixe fresco, vai à balança na beira-mar, onde toda espécie de pescado tirado do próprio mar é comercializado.

   As galerias e mini-shoppings também são outros atrativos do bairro, que abriga as mais sofisticadas butiques da cidade. Nos fins de semana, no verão, sempre tem um trio elétrico passando pela orla, onde em dezembro, realiza-se o Maceió Fest, e em fevereiro, o carnaval.

Piscina natural é considerada a “jóia do turismo” alagoano

 

Conhecida em todo o Brasil, a praia da Pajuçara é ponto de turistas, que ocupam seus espaços na alta temporada de verão, freqüentando seus bares, restaurantes e visitando a piscina natural formada por arrecifes a dois quilômetros da costa. Hoje esse ponto é conhecido como “a jóia do turismo” alagoano.
    Lá, o visitante encontra a natureza num cenário paradisíaco, avistando toda a orla marítima, com seus imponentes edifícios de apartamentos e hotéis, além dos coqueirais. Toda a extensão da praia é urbanizada, com campos de futebol, voleibol, tênis, uma feira de artesanato e dentro de poucos dias, um local para shows e outros eventos. O turista que chega a Maceió e não conhece a piscina natural da Pajuçara, perde o mais bonito cenário do litoral alagoano. Cada jangada transporta em media, sete passageiros, que desfrutam um passeio emocionante pela enseada, e lá chegando algumas horas de completo lazer. No verão não faltam conjuntos de forró para animar mais os banhistas.

 

 Saudosista lembram os bons tempos do Rex e do Regatas

Quem viveu na Pajuçara dos anos 60 e 70, hoje quarentões, lembram saudosistas os bons momentos vividos no cinema Rex e nos bailes do Regatas, o Clube de Regatas Brasil – CRB. Os filmes do Rex atraíam jovens do Farol, Centro e outros bairros. Eram filmes românticos como Romeu e Julieta, A Noviça Rebelde, Candelabro Italiano, Dio Come Ti Amo e tantos outros, que marcaram época, e faziam os namorados se apaixonarem mais ainda. Bailes e as matinês do domingo do Regatas ou mesmo carnaval do Iate, nunca serão esquecidos por quem passou a adolescência no bairro ou a ele se dirigia sempre, no fins de semana.

   Antes do filme começar, era a hora da paquera na pracinha em frente ao cinema, que ainda hoje guarda algumas reminiscências daquela época. O cinema desapareceu, mas ficou o nome do local conhecido ainda como “Praça do Rex”. Quem queria se deliciar com um sorvete ou picolé, tinha sorveteria na praça, que também abrigava pipoqueiros e vendedores de chiclete. Para os mais farristas, uma boa cervejinha ou uma pinga, que serviam para animar mais e namorar com mais gosto no escurinho do cinema. 


   Nas matines de domingo no Regatas, era a vez dos adolescentes se esbaldarem ao som de músicas da jovem guarda e do puro rock dos Beatles, Rolling Stones, e Elvis Presley. Muitos namoros, surgiram nessa oportunidade, e terminaram em casamento.


Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 11 de agosto de 1996. Este texto é original como  publicado na época  


 

Caminho para o mar 

Extraido da revista PRISMA em 2006, site http://www.revistaprisma.com.br   

Praia de Pajuçara ganhou nova urbanização e calçadas com intertravados de concreto. A obra passou pela prova do tempo e atrai mais turistas para a capital alagoana.

Há dois anos, a Prefeitura local decidiu renovar a infra-estrutura da orla e adequá-la aos novos usos. Nasceu a idéia de transformar a área num grande parque, com calçadas para caminhadas, equipamentos esportivos, playgrounds e ciclovia. O conceito do projeto foi ordenar as atividades existentes e incluir algumas novidades: redefinir e sinalizar a ciclovia, aumentar as áreas de calçadas, melhorar o tipo de pavimentação existente, e dotar a área com espaços exclusivos para crianças, skatistas e deficientes físicos, explica a arquiteta Rosa Elena Tenório, responsável pelo projeto junto com sua colega Tatiane Macedo.

Nas calçadas, as arquitetas decidiram aplicar o piso intertravado de concreto e integrar essa solução a um plano de reurbanização de toda a orla de Maceió, até a praia de Jatiúca.Os pavimentos originais do local eram feitos de planos contínuos de concreto e sofriam constantes quebras para trabalhos nas instalações subterrâneas. Rosa Elena explica que o piso intertravado foi escolhido porque havia a necessidade de um piso resistente e durável e que ao mesmo tempo oferecesse flexibilidade para mudanças. “A estética também pesou, pois com esse tipo de pavimento conseguimos uma solução interessante jogando duas cores que se integram à paisagem: o amarelo ocre e a terracota”, avalia a arquiteta. A primeira fase da obra ficou pronta em 2004 e envolveu a construção de trechos de calçadas, pista de caminhadas (onde o piso intertravado conta com a vantagem de ser antiderrapante), bancos, ajardinamento de algumas áreas e a criação de um mirante. “Um ano depois o estado de conservação da obra é excelente e valoriza a região tanto para o turista como para a comunidade”, comenta Rosa Elena. Esse resultado positivo estimulou a continuidade da obra, que deve passar por uma segunda fase a partir do início de 2006, com a previsão de utilização de mais 30.000 m² de piso intertravado.


PAJUÇARA                    

“Muito grande” é o seu significado.
Grande são suas cores,
o azul de um horizonte interminável
e um verde piscina deste mar encantador.

Verso e prosa é cantado este bairro.
Sua grafia de oridem indígena
é escrito “Pajussara”,  
mas ganhou o mundo com “Ç”.
                 
Na passagem de Dom Pedro II,  
ficou encantado com a enseada,      
que era uma vila de pescadores.
                         
Hoje a piscina natural
é a “jóia dos turismo”.
E é berço do Clube de Regatas Brasil.

Ari Lins Pedrosa

Bairros de Maceíó © 2002-2017

Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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