Tabuleiro do Martins

Informações

Área: 8,5 Km2

População fonte IBGE: 64.755 hab. IBGE 2010

Quantidade de logradouros: 200

Região Administrativa: 7

Crédito fotos: Fernando Coelho - gazetaweb.com

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História

Pesquisa: José Ademir M dos Anjos 

Texto: Jornalista Jair Barbosa Pimentel

 

De um sítio de João Martins a bairro industrial

 


 

Tudo começou com um sítio do casal João Martins Oliveira e Stella Cavalcante de Oliveira, que viveram unidos durante 51 anos, e tiveram dez filhos. Um casal exemplar, íntegro, querido pelos pobres, amigo de todos. Ninguém pagava aluguel de suas casas. Abriu ruas e o pequeno sítio foi se transformando num novo bairro, que, por justiça, se chamou Tabuleiro do Martins, uma homenagem do povo ao seu fundador.Tudo era difícil naquela época. Não existia água canalizada, nem tampouco energia elétrica.Tudo era difícil naquela época. Não existia água canalizada, nem tampouco energia elétrica. O transporte era feito num velho ônibus, chamado de “sopa”, que descia a ladeira esburacada para chegar ao Fernão Velho, onde pegava-se o trem para chegar a capital.
Seu Martins" participava de tudo: fornecia lenha para a fábrica de tecidos de Fernão Velho, garantia água para a população e se tornava chefe político, econômico e até espiritual da comunidade. Era compadre de quase todos os moradores.
   O bairro foi crescendo desordenadamente. Construiu-se uma praça que o prefeito Sandoval Caju deu o nome de Praça João Martins, uma justa homenagem ao fundador João Martins de Oliveira. Novas ruas foram surgindo assim como a feira livre, que cresceu tanto, sendo hoje uma das maiores do Estado. O bairro ampliou-se para o lado oposto da pista, e recebeu o distrito industrial, conjuntos residências e dezenas de casas comerciais.
   Foi também no Tabuleiro do Martins onde a Petrobrás descobriu as maiores jazidas de petróleo. Aproveita-se todos os recursos naturais da área. A água é mineral. A energia é farta; e o clima de planalto permite uma boa qualidade de vida a todos os seus milhares de moradores, que formam um dos mais populosos bairros de Maceió. 

A vida e obra do fundador do Tabuleiro do Martins

João Martins de Oliveira nasceu em Rio Largo, em 14 de abril de 1879. Casou-se em 1911 com Stella Cavalcante de Oliveira, natural de Atalaia, com quem teve dez filhos e viveu 51 anos. Trabalhos durante muitos anos na fábrica de Fernão Velho, e adquiriu um sítio na alta do distrito industrial, iniciando a povoação que deu origem ao bairro Tabuleiro do Martins.
   A filha Cléria Cavalcante de Oliveira afirma que João Martins era um homem sério, um cidadão de bem, respeitado e querido por todos. Sua mãe, Stella, era uma criatura meiga, suave nunca tendo alterado a voz, vivendo somente para servir a sua família e aos mais necessitados. O casal era sempre convidado para batizar as crianças do sítio. Todos os filhos viveram a infância e adolescência no Tabuleiro. No tempo de criança, todos aprendiam as primeiras letras na própria casa grande do sítio com professores contratados pelos pais.
   Depois seguiam pra Maceió, onde os meninos ficavam internos no Colégio Diocesano e as meninas no Colégio Coração de Jesus. Tudo era difícil naquela época, mas o casal sabia contornar os obstáculos e os filhos foram criados com muito carinho, em harmonia e respeito.
   Corália Cavalcante Jatobá, outra filha de João e Stella Cavalcante, lembra que seu pai tinha comunicação com Bebedouro, através de carros de boi. Ela e seus irmãos iam para as festas de Natal do major Bonifácio Silveira, sempre utilizando esse meio de transporte.
     Quando da inauguração da praça João Martins, a filha Cléria, falando em nome de toda família do homenageado, afirmava que aquele momento era especial para todos os moradores do bairro, não somente para os filhos de João Martins, pois ele foi o criador de tudo. Do Casal João Martins de Oliveira e Stella Cavalcante de Oliveira, Nasceram os seguintes filhos: Baldomiro, Baldomero, Manoel, Bianor, Cordélia, Cléria, Corália, Berenice, Claunice, Cladianor. São os avôs paternos da jornalista Zélia Cavalcante
.  

Bairro cresceu e já tem vida própria

No tempo de João Martins, o Tabuleiro era um arrebalde. Tudo era difícil, até mesmo para se deslocar até a capital. Dos anos 60 pra cá, cresceu aceleradamente com o aparecimento das indústrias em seu lado direito (de quem sai de Maceió), a abertura de novas ruas e o Campus Universitário. Hoje, o bairro é dividido em dois: Tabuleiro Velho (onde tudo começou com o sítio de João Martins) e o Tabuleiro Novo, com os conjuntos habitacionais e as industrias.
O bairro ganhou agência bancária, uma movimentada feira livre, supermercados, mercadinhos, dezenas de outros estabelecimentos comercias de pequeno e médio porte, além de escolas, postos de saúde e outros serviços básicos.
Os descendentes do fundador quando aparecem por lá lembram saudosistas da tranqüilidade do lugar no seu tempo. Havia dificuldade, sim, mas não tinha o tumulto de hoje, com um trânsito violento nas duas pistas asfálticas de entrada e saída da capital.
Mas é o progresso que traz tudo isso. Pra crescer, o bairro teve de perder sua tranqüilidade, para se tornar um agitado corredor de transporte, mercadorias e de gente por todo lado. 

Da Bomba do Gonzaga até onde canta o Sabiá 

Quem pega o retorno da pista asfáltica do Tabuleiro do Martins, em frente à Bomba do Gonzaga, vai começar a conhecer um dos bairros mais tradicionais e festeiros de Maceió. É lá onde se realizam muitas festas de rua, muitos bares com musica ao vivo e o famoso restaurante Onde Canta o Sabiá, uma ampla área circundada de verde, que serve uma deliciosa comida típica.
   São dezenas de ruas e becos que formam um labirinto. Mas consegue-se achar o ponto principal do bairro: a feira livre, uma das maiores do estado, perdendo somente para a Levada, em Maceió, e a de Arapiraca. As ruas são tomadas por vendedores. Um serviço de alto-falante toca musica e manda recados. É um cenário típico de cidade do interior.
   José Gonzaga de Almeida, um comerciante de Maceió, pensando no futuro promissor do Tabuleiro, fundou seu primeiro posto de gasolina, dando o nome de Bomba do Gonzaga, que passou a ser um ponto de referencia do bairro.
   No restaurante Onde Canta o Sabiá serve-se buchada, camarão, peixada, galinha ao molho pardo, carne-de-sol e picanha na brasa. Uma cerveja geladíssima ajuda a aliviar o calor sufocante do verão, enquanto seu proprietário Kennedy Brandão Costa garante um bom atendimento. O restaurante foi fundado há 20 anos, e mantém-se com um serviço de boa qualidade, conhecido de muitos alagoanos, até mesmo turistas que preferem a tranqüilidade do lugar do que o tumulto da orla marítima. 

A devoção de Santa Luzia

Os mais velhos ainda lembram saudosistas das festas de Sinhá Doce, uma senhora alegre, juntava muita gente para reverenciar a santa milagrosa, em nome noites de muita devoção e festa. O pequeno povoado recebia visitantes de vários locais próximos, inclusive da capital, que, naquela época se tornava distante, pela falta de transporte.
   Sinhá doce recebia todo o apoio necessário do fundador do povoados, João Martins, e de sua esposa, Stella Cavalcante. Já existia uma capela construída pela própria família Martins. Mas a veneração era para Santo Antônio. Sinhá Doce começou a rezar o terço em louvor a Santa Luzia, contar suas historias, e essa devoção foi se ampliando, até superar a de Santo Antônio.  Ao ser construída a nova capela do bairro que já começava a crescer, o padre Cabral, sabendo da devoção à Santa Luzia, designo-a a padroeira do Tabuleiro do Martins. E mesmo com a morte de Sinhá Doce, sua filha Florência Maria continuou promovendo a festa. O nome verdadeiro de Sinhá Doce era Dorcelina Maria Conceição, natural de São Luiz do Quitunde, e casada com Pedro Alexandrino de Góis, O “Pedro Fulô”, com quem teve 12 filhos. O casal também promovia festa de São João e São Pedro. Sinhá Doce era também devota do padre Cícero do Juazeiro. Organizou 12 viagens de romeiros à “Meu Padim”. E, na ultima, adoeceu no caminho, falecendo lá mesmo no Juazeiro do Ceará, em Setembro de 1955.

 

 

 Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 22 de dezembro de 1996


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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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