Bebedouro

Informações

Área: 2,20 Km²

População fonte IBGE: 10.103 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 53

Região Administrativa: 4

Crédito fotos: José Ademir

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

Pesquisa e Texto: Jornalista Jair Barbosa Pimentel

“Que saudade das festas do major Bonifácio Silveira”

Um dos mais antigos e festeiros bairros de Maceió, Bebedouro é lembrado nos livros de história de Maceió como palco de memoráveis festas, de encontros políticos, comercio em franco desenvolvimento e a hospitalidade de seus moradores, que continuam sendo preservados pelas novas gerações. O bairro já foi o preferido da elite alagoana, que construíam seus casarões na rua principal, próximo à lagoa Mundaú e a linha férrea. Serviu de reduto do português Jacintho Nunes Leite e do major Bonifácio Silveira, os dois verdadeiros construtores do progresso. Mas Bebedouro também foi palco de manifestos políticos, que desencadearam em verdadeiras guerrilhas, como a dos Lisos e Cabeludos. Os políticos sempre tiveram no bairro um reduto para suas propagandas em tempos de eleições, elegendo a Praça Lucena Maranhão como centro dos comícios, atraindo muitos eleitores. Prometiam e continuam prometendo melhorias para o bairro, que nunca chegam. Pouco se faz por aquele pedaço de Maceió, que mais parece uma cidade do interior, com moradores preservando hábitos ainda provincianos; a pracinha; a feira-livre; a estação ferroviária e as missas na matriz. Bebedouro nos tempos do major Bonifácio Silveira era um reduto festeiro, conhecido de todos os maceioenses, que se deslocavam para lá e participavam do Natal e do Carnaval. A praça principal virava um imenso parque de diversões. Na época dos bondes, os festeiros usavam esse tipo de transporte para chegar até lá ou mesmo pegavam o trem de passageiros no curto percurso partindo da estação central de Maceió e ainda observando a paisagem de bairros como Levada, Cambona, Bom Parto e Mutange, com o visual da Lagoa Mundaú. E o Colégio Bom Conselho? Quantas normalistas passaram por aquele casarão da rua Cônego Costa desde o tempo do Asilo dos Órfãos? Lembranças de professoras aposentadas que viveram sua adolescência naquela escola, e que ainda hoje mantém as religiosas na administração; a capelinha, os salões imensos com móveis coloniais, e as salas de aula arejadas e bem cuidadas. O casarão da família Nunes Leite permanece lá intacto, preservados pelos descendes do comendador Jacintho Nunes Leite, um português que elegeu Bebedouro como seu reduto, e levou o progresso para lá. Casarões imponentes, como o da família Leão, hoje ocupados pela Clínica de Repouso Dr. José Lopes de Mendonça, e tantos outros que margeiam a principal rua de acesso ao bairro, a maioria já descaracterizada.

Matriz de Santo Antonio tem azulejos portugueses

   Foi o comendador Jacintho Nunes Leite quem importou de Portugal os azulejos que adornam a matriz de Bebedouro, Sob a invocação de Santo Antonio. É desse rico industrial, a principal liderança do bairro no século passado, e também a doação do sino da velha igreja feito na Fundição Alagoana de sua propriedade. A matriz é o símbolo da fé católica dos moradores do bairro. Nela são realizados, batizados, casamentos e outros atos religiosos. Por ela passaram varias sacerdotes, amigos fiéis dos católicos, como o atual bispo de Palmeira dos Índios, Dom Fernando Iório. A igreja fica na principal praça, com coreto, bancos e sempre movimentada. Em dias de festa de Santo Antonio e no Natal, é o ponto de concentração dos moradores e visitantes. O coreto, que ornamenta mais ainda a praça também foi obra do comendador Jacintho Nunes Leite, que viveu no casarão, e ainda hoje é preservado pelos seus descendentes. Os saudosistas lembram das retretas em dia de festa. A praça sempre foi o centro de convergência dos bebedourenses. Em dias de baile, no Clube 29 de Julho, ela ficava fervilhando de jovens, que paqueravam e aguardavam os primeiros acordes da orquestra para começar a farra.

Família Nunes Leite levou o progresso a Bebedouro

A história de Bebedouro tem marca de uma família portuguesa: A Nunes Leite, cujo tronco é o comendador Jacintho José Nunes Leite, que chegou ao bairro quando ainda era um arrebalde. Construiu a casa grande, ergueu um engenho de açúcar e o progresso foi chegando aos poucos, até se tornar num espaço urbano preferido da burguesia do século passado, nos primeiros anos do século XX. Liberal, o comendador Nunes Leite, sempre se manteve à frente de sua época na defesa do desenvolvimento econômico e social da cidade que escolheu para viver e criar seus filhos.
   Tornou-se logo antipático em meio aos senhores de engenho já que comprava escravos e libertava. Mas seu poder econômico, como dono da única fundição da província, fazia com que os coronéis sempre recorressem aos seus serviços, pois todo o material necessário à manutenção de um engenho bangüê, era fornecido por ele.
   Mas a trajetória desse português começou mesmo no comercio, quando inaugurou uma loja de ferragens na rua do comércio, em Maceió. Era a Jacintho Leite & Cia. Ltda, que marcou época. Depois comandou a Fundição Alagoana, em Jaraguá, a fábrica de tecidos de Fernão Velho, a companhia de bondes de Maceió, e implantou o serviço de abastecimento de água de Bebedouro, o pioneiro na cidade.
   A família Nunes Leite é a mais tradicional de Bebedouro. Faz questão de manter o “Solar dos Nunes”, um casarão construído pelo patriarca, que fica na praça principal do bairro, e tudo lembra a trajetória desse português, verdadeiro construtor do progresso de Maceió.  

Memórias de minha rua

Félix Lima Júnior deixou uma grande contribuição à preservação de Maceió. Veja a origem de algumas ruas de Bebedouro, um dos mais tradicionais bairros da cidade:

Rua Bernardo Mendonça: antiga rua do Cardoso. O Dr. Bernardo de Mendonça Castelo Branco foi deputado por Alagoas e prestigioso chefe do Partido Conservador.
Ladeira do Calmon: Salvador Calmon de Siqueira, farmacêutico e dentista, nasceu na Bahia, ma radicou-se em Maceió, onde chegou a eleger-se deputado e vice-prefeito de Maceió. Esteve à frente dos negócios municipais por pouco tempo, devido à agitação política da época. Construiu uma casa na ladeira, a qual, por esse motivo tomou seu nome.
Rua Cônego Costa: Antiga rua do Comércio é a principal do bairro a mais movimentada ainda hoje, onde está localizada a maior parte das casas comerciais, além do majestoso Colégio Bom Conselho. Antonio José da Costa, sacerdote e político exaltado, foi proprietário do jornal Diário de Alagoas, o primeiro que circulou diariamente em Maceió nos últimos anos do século passado.
Rua Faustino Silveira: O patrono foi o professor da Escola Normal. Jornalista e despachante federal, tendo residido em Bebedouro por muito tempo.
Rua Carteiro João Firmino: Carteiro aposentado do Correio, era uma figura muito popular no bairro.

O ponto chique do Natal de Bebedouro

   O major Bonifácio Silveira, com seu espírito festeiro, conseguiu transformar Bebedouro no ponto chique da temporada de festas de final de ano. Por mais de três décadas, ele conseguiu promover o Natal mais animado de Maceió. Recebia visitantes na praça principal do bairro e em sua casa.
   O sábio J. P. Porto Carrero, quando estudante, passou o Natal de 1902 em Maceió, e visitou Bebedouro, onde dançava-se o autentico coco, que na época não era uma dança popular e sim, uma manifestação folclórica dos salões chiques da cidade. Ele descreveu seu primeiro Natal em Bebedouro assim: “Foi em Bebedouro que travei conhecimento no celebrado coco das Alagoas, que sem dúvida é o nosso de Pernambuco também, porém é ali que se dança com mais fervor. Direi o mesmo como algum rito de religião tradicionalmente venerado. Foi ali no alto da residência do sr. Bonifácio Silveira, toda iluminada a giorno na fronteira e nos oitos”.
   Para quem viveu em Maceió nas primeiras décadas desse século, não esquece as festas de Bebedouro. O Natal era o mais animado da cidade. A praça se enfeitava de bandeirolas multicoloridas e outros adornos natalinos; fogos de artifício pipocavam no céu iluminado de estrelas; as retretas; o pastoril; o guerreiro, o coco, a chegança e outras manifestações folclóricas, além das barracas de bebidas e guloseimas.
   O mês de maio também era comemorado na matriz de Bebedouro, ainda nos tempos de Império. Era um acontecimento que merecia destaque na imprensa local. O Diário de Alagoas publicava em uma de suas um apelo aos moradores do bairro para que varressem as calçadas e ruas, por onde passaria a procissão.

Saudosistas lembram dos passeios de bonde

   Quem viveu em Bebedouro até a década de 50, não esquece o passeio de bonde até o Centro que se prolongava ao Farol, Pajuçara e Trapiche. Eram momentos de intenso prazer, apreciando a paisagem bonita dos casarões e dos trens de passageiros, que percorriam quase o mesmo trajeto. Fazer compras no comercio central ou mesmo ir até a praia da Avenida, na época ponto de encontro da juventude, era programa obrigatório dos jovens e adultos que viviam naquele bairro. Tomar banho de rio, saborear frutas da Granja Conceição, passear pela praça depois da missa do domingo, paquerar, bailar no clube do bairro, que ficava na esquina entre a praça e a principal rua do bairro, se constituíam em momentos agradáveis que ninguém esquece. Quando não tinha mesmo o que fazer dava uma chegada até a ferroviária, onde aguardava-se o trem que saia de Maceió em demanda as margens do rio São Francisco e ao Recife.

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 17 de novembro de 1996. Este texto é original como  publicado na época                


                       

Parque Municipal, opção de lazer e educação ambiental

Fonte:  Secretaria Municipal de Comunicação (SECOM/Maceió)  Crédito das fotos: Yvette Moura e Francisco Medeiros  

NOTA DO SITE

Com a homologação da  lei municipal 4953 em 06 de janeiro de 2000 que dispõe sobre o perímetro urbano de Maceió, e o abairramento da zona urbana, o Parque Municipal de Maceió por cultura e costume, continuam divulgando que fica em Bebedouro. Mas geograficamente fica no bairro de Petrópolis. Click AQUI para conhecer mais sobre o parque, que é administrado pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma).  

 

 

BEBEDOURO

                   
O riacho que matou sedes
(era o bebedouro de viajantes),
é  a origem do seu nome.
Bairro festivo e acolhedor.

Um dos mais antigos bairros,
onde foi a preferência da elite alagoana.
Beijado pela lagoa Mundaú,
foi palco de festas memoráveis.

Os casarões são os símbolos deixadas pela época.
A Praça Lucena Maranhão,
é o centro pulsante das emoções.

Grato ficaram todos a Jacinto e Major Bonifácio,
que fizeram deste espaço a flor do Lácio.
Bendito seja aquele riacho.

–    Ari Lins Pedrosa - novembro 2013

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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