Feitosa

Informações

Área: 2.60 Km²

População fonte IBGE: 30.663 hab. Censo 2010

Quantidade de logradouros: 146

Região Administrativa: 5

Crédito fotos: José Ademir

Mapa do bairro para download: Clique aqui

História

Pesquisa e Texto: Jair Barbosa Pimentel  e José Ademir M. dos Anjos

De ponto de venda de carvão a bairro que cresce

Tudo começou em 1894, com a chegada do casal José Feitosa e Maria Feitosa da Conceição, que saiu e Bom Conselho (PE), para tentar a sorte em Maceió. Era tudo mata fechada. Construíram uma casa de taipa coberta de palha, e começaram a trabalhar, retirando madeira, fazendo carvão, vendendo e cultivando a terra com pequenas lavouras. Assim nasceu o Feitosa, bairro espremido entre o rico Farol e o pobre Jacintinho. Hoje, com dezenas de ruas, conjuntos habitacionais, comércio intenso e até uma emissora de rádio a comunitária Bella Vista FM 89,7.   Dona Maria Feitosa sobreviveu até os 110 anos, sempre morando na mesma casa, na rua Acre. Trabalhou muito para criar seus filhos. Vendia lenha, palha, vassoura e era uma dedicada dona de casa. Sua neta Luzinete Silva Santos lembra saudosista da velha fundadora do bairro, com quem conviveu até sua morte.

Com ela, subia e descia ladeira que dava acesso ao Farol, para pegar o bonde e ir até o Centro da cidade. Tudo era esburacado, mata fechada e riachos de águas limpas. O segundo morador do Feitosa foi Manoel Tavares Duarte, oriundo de Quebrangulo. Tinha um sítio, com criação de cavalos, bois e vendendo lenha. Sua neta Luzinete de Oliveira Tavares ainda mora no bairro e lembra que, com a chegada da água em 1968, o progresso foi chegando aos poucos. E, com ele, o desmatamento.

Os limites do Bairro

Através da lei municipal 4.952/2000, publicado no Diário Oficial do Município em 07 de janeiro de 2000  o bairro foi definido os seguintes  limites: ao norte com Barro Duro, ao sul com Jacintinho e Farol, ao leste com São Jorge e a oeste com Pitanguinha e Gruta de Lourdes  

Ponto Inicial
Ponte sobre o Riacho Reginaldo, na Avenida Governador Afrânio Lages

Descrição do perímetro: (texto original da lei)
Do ponto inicial segue a montante do Riacho Reginaldo até o talvegue que antecede a Avenida Rotary, situado à leste, paralelamente a esta avenida. Segue por este talvegue até atingir o prolongamento da Rua São Francisco de Assis. Daí, segue por esta até a Avenida Jucá Sampaio. Segue por esta Avenida até a Rua Santo António. Segue pela Rua Santo António e pelo seu prolongamento até encontrar o talvegue do Riacho Águas de Ferro. Segue para sudeste por este talvegue até o encontro com o pequeno talvegue que situa-se na altura da Rua C, do Conjunto Iguaçu. Segue então por este talvegue até atingir o topo das encostas. Segue pelo topo das encostas que contornam os conjuntos Iguaçu e Girassol e depois segue pelo topo das encostas, na linha de mudança de nível da localidade denominada Bela Vista, contornando-a e seguindo pelo topo das encostas paralelas a rua António R. Pontes Lima até o encontro com a Avenida Jucá Sampaio, passando pela lateral direita do imóvel de n° 220 daquela avenida. Segue pela Avenida Jucá Sampaio até o encontro com a Rua Brisa do Mar. Desta, continua pela Rua Projetada B, do Loteamento Santa Madalena. Segue pela Rua Santa Isabel e em seguida, pelo seu prolongamento até o encontro com o primeiro talvegue que toma a direção oeste. Continua pelo primeiro talvegue situado no sentido oeste. Segue até encontrar o Riacho Pau D`Arco, continuando a jusante deste, até o encontro com a Av. Gov. Afrânio Lages. Daí, continua pela Avenida Governador Afrânio Lages até atingir o ponto inicial na ponte sobre o Riacho Reginaldo
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               Nomes antigos das ruas ainda são preservados

Orelha de Aço, Beco da Bosta, Lagoa do Jacaré, Rua da Jia e do Forró do Tapa, são nomes sugestivos “batizados” pelos antigos moradores que ainda hoje são preservados. O Feitosa modernizou-se, mas ainda conserva alguns aspectos do início da povoação. As “Três Estradas” hoje são largas avenidas que abrigam conjuntos residenciais da classe média, que fugiu do calor sufocante da parte baixa da cidade, para se deliciar com o clima do planalto.
Dona Luzinete Silva, neta da fundadora do bairro, Maria Feitosa, lembra que a atual Rua Acre chamava-se Beco da Bosta, porque os moradores faziam suas necessidades fisiológicas naquela local, e o povo dizia: “Não vou entrar naquele beco porque só tem bosta”. E o nome ficou assim.
 Marieta Laura, moradora do bairro , tem um sítio próximo ao Conjunto Artemísia. Conta que tudo era um matagal, sem luz, água e poucas casas. O nome era Orelha de Aço, porque um dos moradores, José Novaes, tinha orelhas grandes, e era esse seu apelido, daí surgiu o nome do local.
   O Forró do Tapa, era onde hoje nas proximidades  panificação José Paulino, surgiu de uma confusão entre duas mulheres que brigaram na inaugurarão de uma casa de dança . Surgiram vários tapas, e o forró assim conhecido, segundo Miguel de França, nascido e criado naquele bairro.
   Os principais logradouros do bairro são: Av Governador Lamenha Filho, Av Juca Sampaio, Av Chico Mendes, Rua Senador Rui Palmeira, Rua Desembargador Hélio Cabral, Rua Augusto Calheiros, Rua Derval Macário e Rua Joel Vieira dos Anjos,  além das que levavam nomes de santos, como: Rua Santo Antonio, Rua São Judas Tadeu, Rua São Sebastião, Rua São José, Rua Santa Margarida, Praça Nossa Senhora de Fátima e Rua Nossa Senhora Aparecida
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 Comércio é a principal atividade do Feitosa

 Aos poucos o Feitosa, vai ganhando novos estabelecimentos comerciais. Desde as carvoarias de dona Maria Feitosa, passando pela mercearia de secos e molhados, aos modernos mercadinhos, farmácias, açougues, padarias e lojas de materiais de construção, o bairro vai se tornando independente, com seus moradores dispondo de tudo que necessitam consumir. José Aureliano Paulino chegou ao Feitosa em 1983, apostando no futuro do bairro. Instalou sua Panificação Paulino, que terminou se constituindo num ponto de referencia para os moradores e visitantes.Lembra que quando se instalou no bairro, seus amigos achavam que não ia consegui fazer um bom negócio. Pesquisou antes, e sabia que estava apostando em algo que dar certo.

Avelino Torres é morador do Feitosa e proprietário da Gogó da Ema Discos.  Nunca se arrependeu de ter se instalado lá. Sabia que o progresso viria rápido logo que inauguraram o Terminal Rodoviário. E estava certo. O Feitosa cresceu muito desde os anos 80. Sua gravadora já produziu mais de 4.500  discos.

SHOPPING MIRAMAR

Inaugurado em setembro de 1998, para atender as necessidades comerciais da população da Região.

Com 115 lojas, amplo estacionamento, agencia da Caixa Econômica Federal, casa lotérica, choparia com música ao vivo nos fins de semana, o SENAC com cursos de informática, Lojas com acesso a Internet (Cyber Café), consultório dentário, escritórios de contabilidade, toda esta estrutura geram 400 empregos diretos. O SHOPPING MIRAMAR é  mais uma opção para os moradores do lugar. 

 BLUE TOWER EMPRESARIAL  

Obra construida desde 2005 e inalgurada no inicio de 2009, está localizada no limite leste do bairro do Feitosa com Barro Duro na Rua São Francisco de Assis esquina com Av Juca Sampaio.

Com estrutura moderna, arquitetura arrojada, contendo salas comerciais, auditório pra 150 pessoas, restaurante, elevador panorâmico, gerador de energia e paisagismo tropical.

CARNES E VERDES

Um horti-frios moderno, que vende carnes, peixes, frutas, verduras além de cereais, bebidas, panificação etc... Inaugurado em 1995 e ampliado em 2002, funcionando de domingo a domingo localizado na Av Juca Sampaio esquina com Av Gov. Lamenha Filho, serve como outro ponto de referencia do bairro.

Adendo I: Carnes e Verdes fechou em janeiro de 2008.

No local, em novembro de 2008, foi installado  unidade do Senac de Alagoas. A Unidade Fecomércio é o primeiro laboratório-supermercado do Brasil. Os alunos vão ter a parte prática dos cursos em um verdadeiro supermercado, que vai estar aberto à população. A unidade conta com 20 salas e nove laboratórios, o que forma uma completa estrutura para o ensino-aprendizagem. O objetivo é formar mão-de-obra para o segmento e atender uma carência de capacitação que vai desde o operador de caixa a outras funções.

Adendo II: A Unidade Fecomércio, o Laboratório-supermercado fechou em dezembro de 2009.

Adendo III: No local aonde funcionou o Carnes e Verdes e A Unidade Fecomércio foi inalgurado em 17/03/2011 uma filial das Lojas Americanas.  A empresa foi fundada em 1929, pelos americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger que partiram dos Estados Unidos em direção a Buenos Aires com o objetivo de abrir uma loja no estilo Five and Ten Cents (lojas que vendiam mercadorias a 5 e 10 centavos, na moeda americana). A ideia era lançar uma loja com preços baixos, no modelo que já fazia sucesso nos Estados Unidos e na Europa no início do século. No navio em que viajavam, conheceram os brasileiros Aquino Sales e Max Landesman que os convidaram para conhecer o Rio de Janeiro.
Com o crescimento, as construtoras chegaram logo. Hoje, um terreno de cerca de 400 metros quadrados custa algo em torno de R$ 25.000,00 mil, dependendo do local. Loteamentos como Bariloche, Valparaíso, Caramuru, Esperança e outros, possuem infra-estrutura completa.
   Mas o preço do progresso, segundo o pesquisador José Ademir M dos Anjos, é o desmatamento descontrolado.  “Derrubam-se árvores para se construir casas comerciais, residênciais e condomínios, e não se preocupam em plantar árvores nos próprios logradouros. Mas ainda esta preservada as vegetações nas encostas dos riachos da Pitanga, Reginaldo e Águas de Ferro."  

 Terminal Rodoviário mudou a imagem do velho bairro

Inaugurado em 1982, o Terminal Rodoviário João Paulo II levou o progresso ao Feitosa. Sua construção exigiu de imediato a interligação com bairro do Farol e o Jacintinho. É o maior do Estado, e quando foi construído não foi bem aceito pela população, que considerava muito longe do Centro (são apenas quatro quilômetros).
   Hoje o movimento é intenso. São cerca de 250 ônibus que circulam diariamente pelo terminal, com centenas de passageiros que partem ou chegam dos municípios alagoanos, além de cidades como Recife, João Pessoa, Natal, Foz do Iguaçu, Crato, Belém, Salvador, Brasília, São Paulo e outras.

    Vários hotéis e pousadas foram sendo construídos nas imediações do Terminal, além de diversas casas comerciais, ônibus urbanos ligando o Feitosa a todos os bairros da cidade, passam obrigatoriamente pela estação de passageiros.

São Judas Tadeu é o protetor do lugar

   Dona Valderez Soares dos Santos, moradora antiga do Feitosa, caminhava descontraidamente pelas poucas ruas existentes no final dos anos 50, quando deparou com um papel dobrado no chão. Abriu, leu e era uma oração de São Judas Tadeu. Sua fé católica fez-lhe idealizar a construção de uma capela em louvor do santo, missão comprida, ela e o marido Derval Macário, foram conquistando novos fiéis e o apoio da Arquidiocese de Maceió, até que no início da década de 80, transformaram a capela na Matriz de São Judas Tadeu.
   Tudo no Feitosa lembra o santo, protetor das causas impossíveis e dos desesperados. É também o protetor dos jovens. Muitas casas comerciais têm o nome desse santo, que era primo de Jesus, pela parte materna. A fé católica é bem visível em vários pontos, com nomes de ruas e casas comerciais.
   A cada 28 de outubro,  a comunidade comemora o dia de São Judas Tadeu. A procissão que até os anos 60 percorria os tortuosos caminhos, hoje, passa pelas avenidas pavimentadas. Os católicos (a maioria) preservam essa tradição.

No inicio da década de 80, com o surgimento dos Conjuntos Antonio Magalhães, Vale do Feitosa, Residencial Diana,  Eldorado, loteamentos como: Santa Rita, Bariloche e outros, surgiu a Igreja Nossa Senhora de Fátima, uma comunidade organizada que comemora sua padroeira todo mês de Maio.  

No final do século 20 até o inicio do século 21 os evangélicos se instalaram no bairro já contando com mais de 10 templos e outras em construção.   

Educação: Boas escolas, públicas e privadas 

No inicio da década de 1990 a educação passou por uma crise nas escolas públicas, surgindo diversas escolinhas, algumas fecharam, outras com uma melhor estrutura permaneceram. No final de 2001 apareceram boas escolas vindo suprir a demanda, reforçando as já existentes. Foram construídas duas grandes e modernas escolas de ensino fundamental e médio. A primeira, a Escola Adventista (privada) localizada na Av Juca Sampaio, a segunda, foi a escola pública estadual Maria das Graças de Sá Teixeira, com arquitetura moderna, localizada na Av Gov. Lamenha Filho em frente ao Condomínio Residencial Artemisia, funcionado nos 3 turnos com boa iluminação, elevador para deficiente físico, uma excelente merenda escolar, vindo reforçar as já existentes Escola Petrônio Portela, que mudou de nome para Escola Professora Erotildes Rodrigues Saldanha e a Escola Prof. Pedro Teixeira. O Feitosa possui outras escolas privadas de ensino fundamental, a exemplo do Colégio Russell que mudou de nome para Colégio Expoente, permanecendo a unidade do Colégio Russel Junior, localizada na mesma avenida e Escola de 1º Grau Nossa Senhora de Fátima, que também mudou de nome para escola Cora Coralina.        

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 29 de setembro de 1996.  Texto atualizado em Maio 2010 por: José Ademir


FEITOSA

Casa de taipa coberta de palha,
onde a família Feitosa,
vendia carvão.
Assim deu início o bairro do Feitosa.
                                       
A matriarca da família Maria Feitosa,
é considerada a fundadora deste bairro,
que viveu até cento e dez anos,
com a proteção de São Judas Tadeu.
                             
O terminal rodoviario João Paulo II,
é vida pulsante e tem uma estátua  
que chama a atenção – Lampião lendo -.
                       
Na Avenida Governador Lamenha Filho,
o processo se fez:conjuntos residenciais e vielas
(com nomes sugestivos): orelha de aço e beco da bosta.

- Ari Lins Pedrosa-

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Curiosidade

Treze vezes vencedor do prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - Prêmio ESPIA.

"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade." Extraído do livro Maceió 180 anos de história 5 de dezembro de 1995.

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